Sorrir quando choras por dentro – Ansiedade

ansiedade e sindrome do pânico

Hoje digo-te olá. Olá estou de volta, depois de meses de inconstância por aqui, depois de meses onde andei de braço dado com o meu lado sombra, apesar de poucas pessoas se terem apercebido. Hoje digo-te olá, com a cabeça fora de água tendo total consciência que o corpo ainda está submergido. Hoje digo-te olá e estendo-te a mão para que também tu possas vir ao de cima devagarinho. Porque acredita cá em cima é melhor, mas é importante ir ao fundo para perceber isso.

Há algum tempo que não vinha aqui escrever.

Na verdade desde o verão que a minha escrita andou muito intermitente por aqui, porque entre a criação da Cristais da Alma que tem sido um sucesso, o meu trabalho normal, 2 cursos e alguns problemas pelo caminho a minha vontade de escrever não era propriamente muita e depois… algures aqui pelo meio aconteceu um breakdown que fez a minha ansiedade disparar, que fez os tremores, o pânico e o medo voltarem e que fez com que todo um lado sombra meu viesse ao de cima. Apesar de poucas pessoas se terem apercebido.

E entretanto estreou o filme Joker, um filme com o qual eu fiquei completamente obcecada e que me levou ao cinema duas vezes (com vontade de ver a terceira) e eu percebi que a razão que me levou a ficar tão vidrada no filme foi a angustia que Joaquin Phoenix conseguiu transmitir de alguém que sorri quando está a chorar por dentro.

Sugestão
A ansiedade não passa (só) com pensamentos positivos

Revi-me de cada vez que o personagem começava a rir descontroladamente quando na verdade queria parar de o fazer e não consegia. Revi-me, porque a capa que decidi usar estes meses, foi a de alguém que estava super feliz apesar de cansada, quando na verdade eu sabia há meses que os sinais estavam todos lá e que este auto boicote que comecei a colocar em mim, estava a levar-me devagarinho para uma zona escura onde eu já tinha andado há alguns anos. Aquela linha ténue da depressão.

E não, não desatei a comer compulsivamente

Na verdade aconteceu o contrário, eu simplesmente comecei a borrifar-me para a comida, não comia de forma saudável, mas também não comia grandes coisas, não porque quisesse emagrecer mas porque não tinha fome, e assim no último mês e meio foram-se 3 kilos. Deixei de ir ao Crossfit, comecei a boicotar muito as minhas idas ao Yoga e todos os Domingos prometia a mim mesma que naquela segunda seria diferente, até que tudo recomeçava novamente, eu não me conseguia levantar da cama, e entrava numa espiral de piloto automático na vida, presa por arames aos quais me agarrava com unhas e dentes, como o sucesso da loja, os cursos, ou os workshops incríveis que organizei e vou organizar e que esgotaram em pouco tempo.

Mas, o facto de eu já cá ter estado antes, nesta zona mais escura

Faz com que eu saiba que o limite entre estar aqui e uma depressão é muito ténue, e por isso, quando o sono passou a ser afectado e deixei de conseguir estar focada numa tarefa mais de 5 minutos, eu decidi pedir ajuda. Porque sim, às vezes precisamos mesmo que alguém nos dê a mão e não há absolutamente nada de vergonhoso nisso. Portanto neste momento, estou num processo de voltar à tona. De voltar a escolher-me. Voltar a controlar a minha ansiedade e voltar a conseguir ter uma rotina de bem estar. De simplesmente regressar a mim. E voltar a escrever, voltar a estar aqui é efectivamente um dos passos que finalmente consegui dar.

E porque é que te escrevo isto? Porque para mim é importante que quem me lê perceba que isto do amor próprio e do auto cuidado não são coisas lineares e o facto de conseguires vencer determinadas batalhas não significa que nunca mais irás passar por elas. Na verdade eu acredito que a vida às vezes trata de trazer o nosso lado sombra de volta para percebermos se realmente enraizámos todos os processos pelos quais passámos ou se ainda há alguma coisa por resolver. E é aqui, neste subir 3 degraus e descer 1 que efectivamente vamos curando as nossas feridas.

E para mim é importante admitir isto

Porque me ajuda sobretudo a não esquecer que eu já cá estive uma vez e consegui dar a volta, e que agora consegui perceber muito mais cedo que esta ansiedade que eu andava a sentir não era efectivamente só isso e pedi ajuda muito mais cedo do que no passado, e isto deixa-me orgulhosa. Por isso, tu que me lês, que sofres de ansiedade, de compulsão alimentar ou de outro distúrbio alimentar, que te tens boicotado constantemente, não esperes pelo fim do ano, não prometas que é para a semana ou no dia 1 de Janeiro, pede ajuda agora, escolhe-te agora, garanto-te que custa, mas irá sempre custar mais por cada vez que tu adias escolher cuidar de ti.

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