Uma história de desperdício zero e uma chamada de atenção

desperdicio zero e minimalismo

Vou contar-vos uma história sobre a pessoa mais desperdício zero que conheço: A minha mãe.

Há muitos anos atrás vivia eu com a minha mãe e assim que acabava de tomar banho fechávamos a banheira com a cortina e deixávamos a água na banheira para colocar na sanita com um balde. Posso dizer-vos que desde que me conheço como gente que conto pelos dedos das mãos as vezes que descarreguei o autoclismo na casa da minha mãe. E a verdade é que eu nuca questionei isto, porque sempre foi a minha realidade, deitar a água do banho na sanita.

Da mesma forma só quando já era bem adulta é que começamos a usar gel de duche porque sempre ficou muito mais barato comprar sabonetes. Na verdade acho que comecei a usar muito mais o gel de duche a partir do momento em que sai de casa da minha mãe, e lembro-me que na altura eu até achava que os sabonetes eram uma coisa meio chunga mas era o que ela comprava.

Lembro-me de levar na cabeça da minha mãe por deixar as luzes acesas.

A permissa sempre foi “sais de uma divisão e vais para outra, desligas a luz”. “Não estás na sala desligas a televisão” e por aí adiante, as luzes eram uma questão tramada lá em casa porque eu esquecia-me muito delas e ela chateava-me ainda mais. Acaba por ser engraçado porque hoje em dia sou completamente obcecada em desligar luzes.

Admito que havia alturas em que eu tinha uma certa vergonha (hoje em dia bolas se não tenho um orgulho desmedido na mulher que me criou) mas ela aproveitava tudo. Íamos ao café e partilhávamos um pacote de açúcar pelas duas, por isso o outro vinha para casa onde colocávamos num saco e quando este saco estava cheio, abríamos os pacotes de açúcar para um frasco e voilá tínhamos açúcar. Contam-se pelos dedos das mãos as vezes que me lembro de ver a minha mãe comprar um pacote de açúcar lá para casa.

Sabem uma coisa que nunca existiu e continua a não existir na casa da minha mãe?

Papel de cozinha. É um conceito que ela nunca entendeu, porque sempre tivemos muitos panos de cozinha. Da mesma forma um pacote de guarnadapos de papel era e ainda é coisa para durar uns 2 anos na casa da minha mãe, porque os guardanapos sempre foram usados em momentos especiais como o Natal, aniversários ou Páscoa, de resto sempre nos limpámos a panos e mais uma vez quando calhava comermos fora a minha mãe levava os guardanapos que sobravam para casa.  Tal como os lenços de papel que estavam reservados para a rua, em casa assoávamo-nos a umas toalhas pequeninas que por lá andavam.

A roupa comprava-se onde era mais barata, muitas vezes na feira, outras vezes em supermercados. A Zara era uma coisa muito fora para nós. Lembro-me que  a primeira vez comprei na Zara, senti-me importante sabem? Deve ser mais ou menos o mesmo feeling que alguém sente quando compra na Louis Vuitton.

Desde miúda que ouço falar de reciclagem. A minha mãe que tem a sexta classe sempre me sensibilizou para separarmos o lixo, para respeitarmos o próximo e para no fundo ser uma boa pessoa, mas todas estas regras que existiam na nossa vida aconteceram por necessidade, porque era uma mãe a criar uma filha e a manter uma casa com 400€ no bolso. Imaginam o que é viver com este dinheiro?

E porque é que vos conto isto?

Porque sinto que esta coisa do desperdício zero se está a tornar num verdadeiro negócio focado em vender coisas para uma classe que não é a maioria em Portugal e isto incomoda-me. Incomoda-me porque durante grande parte da minha vida fiz parte desta classe que não se pode dar ao luxo de comprar uma garrafa de vidro ou de bamboo de 40€. Incomoda-me, porque em vez de se educar as pessoas para minimizar o seu consumo dentro das suas possibilidades, partilham-se diariamente mais produtos para comprar, sacos de pano caríssimos, palhinhas de metal e bamboo porque agora temos todos 5 anos e voltámos a beber por palhinha, caixas e caixinhas de alumínio porque os taparueres que se tem em casa não servem.

A senhora minha mãe anda sempre com uma garrafinha na mala com água. É de plástico e nem sei bem quantos meses é que aquela garrafa tem, mas ela usa aquela garrafa para tudo. Não é uma garrafa de plástico sustentável, é mesmo daquelas de fazer benzer qualquer extremista do zero waste mas a verdade é que aquela garrafa acompanha-a para todo o lado há muito tempo. Agora imaginem se eu dissesse à minha mãe para ela trocar por uma de bamboo que custa 40€ mas é super sustentável. A minha mãe ia rir muito na minha cara e perguntar-me se ganhei o euro milhões. Tal como muitas mães e pais deste nosso país.

Deixem-me recordar-vos uma coisa: O SALÁRIO MÍNIMO EM PORTUGAL SÃO 600€.

É com este valor que mensalmente muitos portugueses sobrevivem, ora é impossível que alguém com este ordenado possa pagar 30€ por cabazes de legumes semanalmente, 40€ por garrafas de água, 5€ por um bocado de sabonete e 4€ por uma escova de dentes. Não dá lamento. E aquilo que eu mais gostava de ver são opções para todas as pessoas e menos fanfarronice do sou minimalista. Aquilo que eu gostava de ver são mais apoios aos agricultores para que se possam baixar os preços do biológico e não dizer à boca cheia que produtos biológicos não são mais caros que produtos de supermercado e que é tudo uma questão de escolhas. Lamento mas são e se não acham, desafio-vos a viverem mensalmente com um salário mínimo e  educarem uma criança com esse dinheiro mantendo o estilo de vida eco, bio, coiso. No final do mês conversamos.

Eu não estou contra marcas sustentáveis. Nem tão pouco com os preços praticados porque a verdade é que se eles existem é porque há quem os compre. Estou contra a falta de partilha de opções para quem não pode. Estou contra extremismos. Estou contra ver alguém a partilhar que até trocou o gel de duche por um sabonete do supermercado embrulhado em papel e cair o mundo em cima porque aquele sabonete está cheio de químicos. Estou contra a evangelização sem sabermos a realidade de cada pessoa. Porque há muitas gente para quem um sabonete eco, vegan, cenas de 5€ é um luxo.

É óptimo falar de desperdício zero

O nosso governo eliminou os descartáveis dos serviços públicos, a minha empresa o ano passado aboliu os copos de plástico oferecendo uma garrafinha a cada um de nós para enchermos água, o Lidl anunciou o fim dos sacos plástico. Tudo isto é incrível e é por aqui o caminho educar e não criticar, reduzir e não trocar por coisas fancy só porque sim. A Ana Milhazes fala disto muitas vezes: não tens de deitar todos os taparueres ao lixo se estão bons, é plástico que existe, usa até não dar mais, não vás atirar para o lixo só porque agora o alumínio é que está a dar. Educar é isto gente, entender que nem todas as pessoas podem fazer as mesmas mudanças. Educar é perceber que não vivemos num país rico e que a comunicação tem de chegar de forma justa a todos. Se não, de repente o desperdício zero parece uma coisa de burgueses. E é só esquisito.

A minha mãe é a prova viva que a necessidade acaba por moldar a maneira como vivemos e é a ela que agradeço esta minha forma de ver o mundo. A minha mãe está mais na moda do que muitas pessoas que partilham o zero waste e isto basta-me para ela ser o meu exemplo e não a quantidade de influencers com as suas traquitanas que me entram pelo feed todos os dias.

 

Sugestão
Gelado de Banana, Cacau e Coco - Vegan e sem Glúten

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26 Comments

  1. Responder

    Sofia Costa Lima

    Fevereiro 27, 2019

    Porra, quero aplaudir este texto! A sério! Merece ovação de pé!!!

    Ainda há uns tempos falei sobre isto de ser sustentável e às vezes converso com a minha mãe sobre isso e é verdade que é tudo muito lindo, mas não é assim tão simples e economicamente sustentável. A tua mãe lembrou-me um bocadinho a minha, em certos aspectos. A minha mãe não é tão zero waste, mas também sempre se interessou por questões ambientais – para teres ideia, ecopontos na nossa terra são ainda recentes. Durante muitos anos, juntávamos o que queríamos reciclar e levávamos de carro para a terra mais próxima com ecopontos. E também cresci sempre com ela a ganhar menos do que o ordenado mínimo (agora já está mais próximo), por isso a noção de dinheiro que temos para gastar para estas coisas sempre foi diferente. Temos muitas coisas em segunda mão, de roupa a utensílios de cozinha, e também tive a fase do ter um bocado de vergonha, mas acho que essas coisas acabam por nos dar uma forma de ver o mundo diferente. Ainda há uns dias estivemos a falar sobre a cena de substituir tuperwares de plástico por uns de vidro e sobre as escovas de dentes de bamboo. E aquilo que disse logo foi que não era algo para nos preocuparmos a curto prazo porque os que temos estão bons e a ideia é irmos substituindo aos poucos, à medida que cada um vai ficando estragado, por exemplo. Já as escovas de dentes é uma coisa que, para mim, não faz parte dos planos. Tal como é recomendado por dentistas substituir a escova de dentes a cada 3 meses, mais ou menos, imagina lá a cada 3 meses comprar uma escova de bamboo que custa uns 4€! Tudo muito lindo, mas o dinheiro nem sempre chega para essas coisas, ainda por cima se 4€ podem dar para comprar escovas de dentes para o ano todo. E também não percebe esta obsessão por palhinhas! Juro que não sabia que havia tanta gente a precisar de uma palhinha para beber alguma coisa!

    Bem, isto dava para eu escrever uma tese aqui, mas já fiz um comentário tão longo que acho que deu para perceberes a ideia. Gostei mesmo do texto e da tua abordagem (gosto sempre, vá)!

  2. Responder

    Tatiana Albino

    Fevereiro 27, 2019

    Olha. Essa coisa do autocolismo faz-me SUPER sentido. Nos dias em que me levanto às 4 da manhã (porque estou irrequieta e acho que tenho de ir fazer chichi) e chego à sanita para fazer 3 pingas dói-me muito puxar o autocolismo. Faço-o por respeito à pessoa que chega lá de manhã e que pronto espera alguma limpeza né? Mas é uma quantidade de água absurda que se gasta. Lembro-me de ver um documentário sobre Cape Town em seca em que tinham o lema “if it’s yellow let it mellow” e faziam isso mesmo: água do banho -> sanita.

    Lembro-me de ficar atónita quando um dia o sueco me disse: “sabes quem é que está a tratar muito bem o planeta e quem vive mesmo de forma sustentável? Os teus pais. ” Exlpicou: produzem as suas batatas, comem carne que os meus avós criam, cultivam variadissimos legumes, reciclam, têm água de uma nascente e – já falo mais sobre esta parte – não deitam comida fora.

    Eu nunca tinha pensado nisso. Mas ele tem razão. Uma das grandes mudanças da minha vida foi vir para Lisboa estudar – podes tirar a miúda do campo, mas não tiras o campo da miúda – e uma das coisas que mais me custava era deitar comida fora, no lixo. Sabia bem onde ia parar e dava-me aflição. É que lá em casa a comida sempre foi para os animais: galinhas, porcos, etc. Em casa dos meus pais continua a ir. E caraças se não é maravilhoso ver que os teus restos de comida se transformam em ovos altamente nutritivos vindos de galinhas felizes da vida com espaço à brava para se movimentarem. Sem desperdício. Em vez disso: transformação.

    Outra das coisas que mudou na minha vida nos últimos anos foi a vergonha. É que quando estudava era too cool para vir com sacos cheios de couves e batatas da santa terrinha no comboio. Escusado será dizer que hoje em dia acho um crime comprar ovos, batatas, cebolas e alhos. Porque caramba, tenho a aguda noção de que sou TÃO sortuda por poder trazer esses bens vindos da terra que conheço que a minha família cuida (e eu ocasionalmente).

    Enfim, também tenho a noção que nem toda a gente tem a minha sorte. Mas se olharmos bem, esta postura de desperdício zero está nos básicos. É voltar aos básicos.

    Obrigada por partilhares este post <3 <3 Isto é tão importante.

    P.S. – qualquer dia há pêssegos, temos de ir lá apanhá-los! 😉

  3. Responder

    Monica

    Fevereiro 27, 2019

    Revejo-me muito nesta tua experiência. Lembro me ter um saquinho para o pão e guardanapo de pano para levar para a escola, de não termos guardanapos de papel e sim de pano para as nossas refeições em casa, dos avisos constantes para se apagar a luz, dos pratos inventados com os restos de uma outra refeição e tantas outras poupanças. Os meus pais e os meus avós sempre foram pessoas poupadas, não estragavam nada e essa educação foi-me passada. Os meus avós cultivavam, e tínhamos batatas, cebolas e alhos para o ano inteiro, e produziam também azeite e vinho.
    Hoje em dia o que me assusta é este fundamentalismo, esta coisa do querer partilhar a perfeição, que na verdade não existe porque como tu bem disseste não se vão deitar objectos para o lixo que ainda se podem usar só porque são de plástico isso é que é o verdadeiro desperdício. Às vezes quando leio determinados blogs até me apetece rir, falam de desperdício zero mas na verdade o que eu entendo é “consumismo puro”, aderem a sabonetes (muitos só porque agora está na moda) , a talheres da moda e a tantas outras coisas da moda, e esquecem-se de referir coisas tão simples que não custam dinheiro nenhum e aí sim estamos a fazer todos juntos a diferença, tais como alguns que já falaste, usar panos em vez de papel, encher o balde enquanto a água do banho aquece, reaproveitar as sobras das refeições, desligar as luzes quando não precisamos delas e tantas coisas que se pode fazer, que para além de pouparmos o ambiente ainda poupamos dinheiro.
    Beijinhos Vania e gosto muito de te ler 🙂

  4. Responder

    Ana Freitas

    Fevereiro 27, 2019

    Incrível como ao ler este texto me revi em tanta coisa!!

    Também eu sou daquelas filhas (mais o meu irmão) que fomos educados com uma mãe sozinha, empregada fabril, e com o ordenado mínimo para fazer face às despesas.

    Também eu levava (e levo!) o açúcar e os guardanapos que não uso para casa. Também eu uso sabonete (não só porque é mais barato, mas percebi que era até mais sustentável quando comprado em embalagem de papel). Também vou às promoções de fruta e legumes (porque para comer saudável só assim. Não há dinheiro para bio.) Reutilizo garrafas de agua de plástico daquelas de fazer tremer qualquer ambientalista.

    Agora também trabalho e também eu ganho pouco mais do que o ordenado mínimo. Acredito que, mesmo por necessidade, a minha mãe me deu as ferramentas necessárias para me desenrascar neste mundo e com isso ter até algumas atitudes sustentáveis (mesmo que por vezes inconscientemente!).

    Obrigado por este texto!

    Ana

  5. Responder

    Andreia Moita

    Fevereiro 27, 2019

    Vânia, li este texto como se te estivesse a ouvir. Incrível como tu consegues passar uma mensagem tão importante como esta dessa forma tão crua e séria e ao mesmo tempo com esse teu jeito tão simples. Já conheço esta tua forma de ver o mundo e a tua coragem para o dizer não é novidade para mim, mas fico sempre com muito orgulho de ser tua amiga quando leio coisas destas!

  6. Responder

    Diana

    Fevereiro 27, 2019

    Muitos parabéns por este texto.
    Esta é a verdade deste país, e também do mundo, não é deitar tudo fora e comprar coisas novas e sustentáveis. E o que deitamos fora? É lixo. Vai poluir.
    Também eu sou apologista do ‘já que tenho, então vou usar até dar e depois logo compro algo melhor para o meio ambiente”.
    E no que toca aos produtos ecológicos, biológicos e Sustentáveis: ganho acima do ordenado mínimo e não tenho filhos, mas a verdade é que se for a gastar o meu ordenado em tudo o que é biológico, ecológico e sustentável o dinheiro não me chega a meio do mês… É tudo demasiado caro.
    Mais uma vez isto é tudo um lobby de interesses é o que é.

  7. Responder

    Diana

    Fevereiro 27, 2019

    E já agora, tirando pessoas com problemas de saúde a palhinha é uma coisa… Parva.
    Já não me lembro da última vez que usei uma.

  8. Responder

    Micaela

    Fevereiro 27, 2019

    Amei 👏!

  9. Responder

    MissDavid

    Fevereiro 28, 2019

    É isso mesmo, tocaste em pontos muito importantes, parece que anda tudo a reciclar só porque é moda

  10. Responder

    Catarina

    Fevereiro 28, 2019

    Vânia, obrigada, obrigada, obrigada! Por falares das coisas como elas são, por mostrares que as modas são tão pouco sustentáveis, sejam elas quais forem, e por seres sempre tão autêntica! Detesto modas, evangelizações e extremismos, e vivemos tempos em que isso, mais que a liberdade de expressão e de escolha, dominam as nossas vidas. Quer seja na TV, ou numa rede social qualquer, as pessoas estão cada vez menos tolerantes, têm cada vez menos espírito crítico e falam à boca cheia de coisas que não conhecem, e tornam-se arrogantes ao achar que são as donas da razão. E é por isso que ainda gosto mais de ti, por não fazeres parte dessas “tribos” de gente louca e sem noção. Nós é que temos de te agradecer pelo trabalho que fazes, nunca te esqueças disso <3 Um beijinho enorme*

  11. Responder

    Luciana Kickhofel Coppa

    Fevereiro 28, 2019

    Perfeito! simples como deveria ser!

  12. Responder

    rita.amaral

    Fevereiro 28, 2019

    Que bom testemunho 🙂
    Realmente aprendi ao ler este texto: minimalismo e reciclagem nem sempre é trocar as coisas do dia-a-dia mas sim usá-las da melhor forma. Os rolos de papel de cozinha é tipo UM EXCELENTE EXEMPLO! Sempre vivi com eles e nunca questionei o desperdício, mas de facto, mesmo sendo papel. O desperdício está também na usabilidade que damos a algo e usar algo até ao fim é uma boa dica. No fundo, se os recursos já existem no planeta, é usá-los e aproveitá-los (como o açúçar e a água, por exemplo) até ao fim. Obrigada por partilhares a tua experiência e por teres uma super bem que te deu tão bons ensinamentos para a vida 😀

  13. Responder

    liliana | a essência dos dias

    Fevereiro 28, 2019

    adorei o texto porque é tão isso! quanto mais leio, oiço, vejo sobre esta matéria, entendo que estamos a entrar numa espiral de loucura e não há mais pachorra para fundamentalismos. e à loucura soma-se o esquecimento… há dias uma colega de trabalho viu-me a comprar sabonetes e perguntou-me para que serviam! não lhe passava mais pela cabeça que o podíamos usar no lugar do gel para mãos ou banho! (um dos gestos mais simples a que recorri para diminuir o plástico na minha casa de banho). voltar às origens, ao simples, aos tempos dos nossos pais e avós é, para mim também, o mais equilibrado e salutar. obrigada por esta partilha!

  14. Responder

    Catherine

    Março 1, 2019

    Adorei a partilha! Tenho sentido muito isso nesta jornada para uma vida mais ecológica mas com menos perfeccionismo de comprar coisas e mais aproveitar o que se tem (e até tenho algumas publicações em curso em relação a este tema). Felizmente neste momento tenho possibilidade de ir experimentando algumas coisitas mais diferentes, nomeadamente shampoos sólidos que são muito caros! Mas há uns anos atrás ninguém me punha a gastar tanto dinheiro num shampoo. E as escovas de bamboo? Penso que isso sim é o maior lobby de sempre, mesmo as marcas portuguesas que vendem estas escovas não têm a produção em Portugal (e que de forma conveniente, não divulgam que vem tudo da China) e cobram balúrdios por estas escovas quando lhes sai por uns cêntimos! Se contabilizarmos o que se gastou no transporte, a escova de bamboo fica cada vez menos económica. O que decidi fazer? Comprar umas 50 escovas ao fornecedor direto, custou-me cerca de 50 cêntimos cada escova e depois aproveitei e ofereci a amigos e família. É a melhor solução? Talvez não mas foi o que me fez mais sentido.

  15. Responder

    Maria

    Março 1, 2019

    Adorei o texto.
    Na casa da minha mãe tudo se poupava. Eu faço o que aprendi com a minha mãe.
    Acho piada quando falam em poupar. Sempre poupei.
    Parabéns pelo texto.

  16. Responder

    Mary

    Março 1, 2019

    É tão isto, Vânia. Porque não faz sentido, pois se queremos melhorar o ambiente, não é a deitar tudo fora e a comprar coisas novas que o vamos ser. Já nem estou a entrar pela questão do dinheiro, que como é óbvio concordo contigo, mas sim quando nos pedem para desfazer dos taparueres, entre outros – que tu referes -, isso para mim é desperdício. Se as coisas estão boas e ainda dão para usar, por que havemos de as trocar por outras? Não somos ricos e custa-me ver que algumas pessoas pedem e exigem isso de todos, não pensando nas prioridades de cada um, apenas pensando nas suas ideias e crenças.
    Reutilizo garrafas de água de plástico, entre outras coisas e não sou contra. Eu também luto pelo ambiente e tento ser o mais sustentável que consigo.
    Excelente post, beijinhos

  17. Responder

    Ana Jervis

    Março 2, 2019

    Vània, ainda bem que escreveste este artigo! Parabéns! 🙂
    Assim sinto-me menos “esquisitóide”, como diz o meu filho! Ele que hoje recusou os confetis e fitas de Carnaval na escola “porque poluem o ambiente”, mas diz que foi o único da turma a recusar. Ele sabe que se pode fazer com folhas de árvores do chão.
    A água fria da torneira vai para o regador, para regar as plantas de casa. Quando vêm comer a minha casa, levam com guardanapo de pano, os que existem de papel também duram séculos porque é para emergência. E também faço parte dos “forretas” que trazem os guardanapos em excesso que nos dão ao comer fora e as saquinhas de papel. Também guardo as casas de papel do pão para tudo e mais alguma coisa. São coisas que vêm de casa dos pais e que interiorizamos.
    Nunca usei rolo de papel de cozinha nem vejo para que o usaria. Adoro toalhas/panos de cozinha.
    Escrevo as listas de compras e lembretes em bocados de papel que tiro do saco da reciclagem.
    O meu filho ainda usa lápis de cera, de pintar, marcadores, brinquedos, livros, roupa que foram minhas quando era da idade dele.
    No aniversário dei-lhe um cartão da Biblioteca Municipal, pois os livros estão um bocado caros.
    Sempre arranjei roupa de criança muito boa para ele em lojas de 2ª mão.
    Na iniciativa à qual pertenço (Aveiro em Transição) fizemos oficinas e reuniões de grupo para fazer sabões para casa (e outras coisas úteis), pois como dizes, os €5 dos que falas fica caro e não quero mesmo os outros cheios de químicos, leio os rótulos todos.
    Nunca habituei o meu filho às palhinhas, são desnecessárias e peço para me acompanhar a recusá-las em restaurantes.
    As camisolas já velhinhas servem de panos em casa.
    Já me acusaram de ir com as mesmas roupas a vários programas de TV… acho que não estão na mesma onda que nós!
    Afinal já fazíamos muita coisa na vida e em casa que era Lixo Zero e não era preciso o livro da Bea Johnson, mas não se chamava Lixo Zero ou Zero Waste, chamava-se ser poupado e ter bom senso.
    E muito mais haveria a dizer!…
    Beijinhos

  18. Responder

    Love Adventure Happiness

    Março 5, 2019

    Sem dúvida que há pequenas coisas que podemos fazer que vão fazer a diferença! Eu tenho feito lentamente, desde usar fraldas de pano na minha filha a ter garrafas reutilizáveis de água (sim porque as que não são para o efeito podem ser bastante nocivas para a saúde, que tal dares uma à tua mãe no Natal ou nos anos?!). Tenho brinquedos de plástico sem BPA reciclado, a maioria é de madeira e em segunda mão…
    Devagarinho podemos ir fazendo mudanças 😀

  19. Responder

    Margarida Pestana

    Março 5, 2019

    Meu amor, muitos parabéns por este artigo. Fez-me regressar a uma realidade próxima e até sentir saudades desses tempos, onde apesar de duros tempos, eram também tão simples.

    Concordo com tudo o que dizes! Que haja mais gente como tu, a educar e a sensibilizar para estas questões fundamentais.

    Parabéns!
    Um grande beijinho
    Maggy

  20. Responder

    Cátia Matos

    Março 15, 2019

    Obrigada por transcreveres os pensamentos que me andavam a saltitar na cabeça há algum tempo! Realmente é triste que as pessoas não percebam as reais premissas de uma vida o mais “desperdício zero” possível, da opção por alternativas mais ecológicas e saudáveis e que passa muito pela redução de consumo e reutilização de coisas que já temos… Infelizmente já ouvi comentários do género “mas agora não eras contra os plásticos?” quando me vêm com um comum tupperware – e lá tenho eu de explicar que, só porque agora tenho mais cuidado e consciência com o que compro, isso não implica deitar fora tudo que for de plástico que exista em minha casa e que ainda podem ser utilizados para os substituir por outra coisa qualquer! Esta “moda” seria excelente se conseguisse transmitir novos valores e mudar mentalidades, em vez de ser apenas mais um tema de fotos e gostos nas redes…

  21. Responder

    Joana Sousa

    Março 15, 2019

    cai se em exageros e extremismos sem dúvida… muitos se esqueceram da educaçaõ que tiveram.. que foi essa mesmo.. de famílias que poupavam tudo. Na minha casa a realidade era muito similar… por exemplo para mim os guardanapos de papel mesmo viver sozinha sempre foram raros…habituada aos de pano e com um enxoval cheio deles e de panos de cozinha!!!
    Cosnciência e bom senso.
    Manter o que se tem e pensar nas escolhas futuras (e fala a gaja que tem um projecto de marcas sustentáveis!!!).
    beijinho grande

  22. Responder

    Denise Neves

    Março 16, 2019

    Entendo perfeitamente o teu ponto de vista. A maioria dos early 80s criados por pais com salários mínimos eram crianças que não tinham o queriam, mas sim o que precisavam (…) Crescemos numa cultura de não desperdício e o meu avô materno era o supra-sumo ❤️ O desperdício zero não é deitar fora o que temos, mas na altura de trocar podemos fazer escolhas que consideramos melhores para nós e para os nossos dentro do nosso pequeno mundo. E como em tudo na vida, sabermos bem do que não precisamos, porque todos os dias nos tentam dizer que precisamos de mil e um apetrechos para viver. Em todas as áreas! E já agora, auto-estima e amor próprio para estarmos bem connosco e com as nossas escolhas ❤️

  23. Responder

    Natalia

    Março 17, 2019

    A minha mãe é da geração da tua. Uma geração que tinha pouco e aprendeu a rentabilizar ao máximo para poder gerir um orçamento familiar reduzido. Quanto ao “sustentável” sou como tu e digo sempre que as principais palavras são reduzir, reutilizar e reciclar, ou seja aproveitar de todas as formas possíveis o que se tem, não é andar a correr a comprar o ultimo eco coiso que aparece. bjs

  24. Responder

    Lídia

    Março 18, 2019

    Muitos parabéns pelo texto.
    O ano passado o lema cá em casa foi tentar chegar ao desperdício zero, mas dentro do que são as nossas limitações.
    Troquei os frascos de champoo pelo sólido, fiz contas e gasto muito menos ao comprar sólido, o mesmo com gel de banho por sabonetes, e troquei as pastas de dentes por umas naturais. E na cozinha troquei o alumínio pelos beewraps. E nas compras, sempre usei sacos reutilizáveis, por isso não foi grande a mudança. Troquei os tampões pelo copo menstrual e passo o tempo a falar disso, porque acho mesmo que é um impacto brutal na natureza e na carteira.
    Vivi na Alemanha e na Suécia, entre 2010 e 2013, e a verdade é que já voltei destes dois países, com novas perspectivas, foi lá que comprei as minhas garrafas de inox, e que ainda duram, recordo que quando voltei e éramos os únicos a usar garrafas assim, as pessoas estranhavam, mas no outro dia numa aula, em conversa com os alunos percebi que hoje já não sou a única e que mesmo os mais jovens estão despertos a estas questões, mesmo que não tenham dinheiro ou condições para fazer os tais investimentos que dizias no teu texto.
    Tenho uma arca-congeladora e congelo tudo, desde cascas de limão a claras de ovo, aprendi isto com uma colega de casa alemã, e faz-me todo o sentido. O pedaços de pão são aproveitados para fazer crutons e nada se estraga.
    Por exemplo uma questão que me incomoda muito, mas que não temos como contornar, é o facto de termos 2 cães e precisar de usar os sacos para os seus cocós. Já pensámos comprar dos biodegradáveis, mas custam 2/3€ cada 20 sacos, é impossível e insustentável.
    Neste momento estou grávida e sempre disse que fazendo contas preferia fraldas reutilizáveis, mas estou grávida de gémeos e não sei se consigo fazer um investimento de quase 1000€ em fraldas… ou seja, acho que é precisa alguma moderação e menos extremismo.
    Para terminar queria contar um pequeno episódio de uma marca de desperdício zero em portugal, é uma marca nacional, e que tem já várias lojas, contudo para manter a imagem desperdício zero, existe um conceito arquitectónico que é preciso seguir, desta forma a marca, transforma todos os espaços, o que acho ser perfeitamente normal. O que não aceito é que se coloque o chão novo, quando o existente tem menos de 1 ano, que se troquem wcs inteiros, onde o lavatório e a sanita eram novos… enfim serão também estas marcas tão desperdício zero?!

  25. Responder

    Sofia

    Março 19, 2019

    Gostei muito do texto, mas penso que é necessário reforçar que essas opções mais caras devem existir, da mesma forma que existem opções mais caras de gel de banho, escovas dos dentes, etc. Cada um deve tentar fazer o melhor que pode dentro do seu limite financeiro, mas isso não quer dizer que seja mau partilhar novos objetos adquiridos apenas porque são caros, se estes foram comprados por necessidade e não para seguir a moda.
    A maioria das pessoas não consegue comprar produtos biológicos, mas pode-se sempre comprar a produtores locais. O zero-waste não devia ser uma moda, é um objetico. Cada um faz aquilo que consegue, comprar garrafas de bambu quando já se tem 3 de plástico no armário não faz sentido, mas se não tivermos nenhuma e conseguirmos pagar aquele valor não devia ser um ato condenável. Os objetos mais caros, se forem mais duradouros, podem requerer mais tempo para juntar dinheiro, serem pedidos como prenda ou comprados usados e isso não é negativo.

    • Responder

      vânia duarte

      Março 22, 2019

      Olá Sofia. Obrigada pela tua mensagem e concordo contigo. Eu não sou absolutamente nada contra existirem opções mais caras, não tenho nada contra garrafas de bamboo a 40€ até porque eu tenho uma garrafa de vidro de uma marca portuguesa que me custou 35€, da mesma forma uso champoo solido que é mais caro que champoo comprado num supermercado, por isso eu sou a primeira a não condenar quem o faz, mas também sou a primeira a admitir que o faço porque não ganho o salário mínimo. O que eu sou contra é algum tipo de comunicação “zero waste” que é voltado para uma classe que não é a maioria em portugal e sou contra a falta de bom senso, porque mais importante do que comprar deveria ser acima de qualquer coisa reutilizar e muita da comunicação que vejo vai no sentido de comprar novas coisas. Para mim o importante é que se eduquem as pessoas e isso implica que a mensagem chegue a todos e não somente a quem pode pagar. Como em tudo é preciso haver equilíbrio e colocando-me no lugar de alguém que ganha um salário mínimo, se me for guiar por muitas inspirações das redes sociais de certeza que iria ficar frustrada por não poder pagar pelos produtos comunicados. Um beijinho 🙂

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