Mais identidade própria e menos cópias na internet por favor

mais identidade propria menos cópias na internet por favor

Cópia na internet. Este é um assunto que me tem andado atravessado e depois de algum tempo a maturar sobre isto resolvi abordá-lo. A cópia – descarada ou não – sempre foi uma coisa que me afligiu imenso, porque para mim não me cabe na cabeça que alguém se sinta verdadeiramente de consciência tranquila ao copiar conteúdo alheio, mudar-lhe umas palavras e partilhá-lo como seu. Para mim isto é uma violação na liberdade de expressão.

Vivemos numa época onde cada vez mais há uma necessidade crescente de se ter uma voz digital forte. Todos querem ter alguma coisa a dizer, muitos querem tornar-se verdadeiras inspirações e alguns obcecados com a loucura desmedida por likes, seguidores e “fama” digital acham que o caminho é usurpar conteúdo alheio.

Ninguém anda aqui a inventar a roda como é óbvio

Especialmente nos dias de hoje parece que anda tudo a falar do mesmo, mas eu sempre acreditei profundamente que há espaço para todos neste mundo digital – quem assistiu à mesa redonda do armazém de ideias ilimitada no passado sábado, sabe que falámos disto –  e apesar de poder ser uma coisa que parece politicamente correcta eu acredito mesmo nisto. Porque para mim, mais do que haver pessoas a comunicarem o mesmo tipo de conteúdo que eu, é o cunho pessoal que eu dou e que tu dás que nos torna diferentes.

Imagina que estás a fazer scroll no Instagram e aparece-te uma publicação patrocinada de alguém que não segues, e quando começas a ler tudo te parece demasiado familiar. O conteúdo, as palavras usadas, tudo é muito semelhante a um texto que escreveste há um ano atrás. Para não te deixares ir numa teoria de conspiração, mostras o texto a várias pessoas e a opinião é unânime: aquele texto é claramente demasiado inspirado na tua publicação. Até que acabas por perceber que esta situação já aconteceu mais vezes e continua a acontecer.  O que irias sentir?

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Para mim que ando nisto há 8 anos e que dou o litro por este blogue

Poderia encarar isto como um reconhecimento do meu conteúdo, por alguém que sem talento opta pela via mais fácil – abrir o meu blogue, retirar temas, mudar umas palavras e lançar esse conteúdo como seu – mas como pessoa que cada vez mais, acha que estas redes sociais estão cheias de gente que vive para aldrabar os outros isto para mim é grave.

Porque independentemente de andar meio mundo a falar do mesmo, há formas de escrever que nos identificam e é por isso que eu Vânia Duarte tenho uma forma de escrever e tu tens a tua. E é por isso que escritores mesmo escrevendo sobre o mesmo tema terão sempre um cunho pessoal. E é por isto que a usurpação de conteúdo não pode de todo ser aceitável.

E sim, eu sei que me podem dizer que isto é complicado de provar, porque mais uma vez ninguém anda aqui a inventar nada mas há coisas que se sentem e há formas de escrever e de abordar determinados assuntos que são tão únicas que é impossível não perceber quando está a existir “demasiada inspiração” em produto alheio.

Dando-te dois exemplos

Hoje em dia há imensa gente a falar sobre comida e restaurantes, logo este é um mundo onde facilmente se vêem os mesmos assuntos e os mesmos locais a serem debatidos, no entanto há pessoas que o fazem de uma forma tão especial e a Rita da Nova é uma delas. Não me interessa se ela está a fazer review a um restaurante que já possa ter visto noutro sítio, a forma como a Rita escreve é tão única, tão dela que é impossível não identificar aquele texto como dela.

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Vamos falar de humildade?

O mesmo acontece com a Filipa Maia, que é uma mulher dos mil ofícios e que entre várias coisas se tornou coach este ano. Ora ser coach parece que é a nova moda do momento, no entanto num mundo onde aparecem cada vez mais coaches de tudo e um par de botas a Filipa para mim, tem uma presença tão distinta e uma marca tão forte, que me transmite realmente muita confiança naquilo que partilha. E mesmo que existam outras pessoas a falar dos mesmos assuntos, a forma como a Filipa o faz é completamente destacada.

E porque é que vos falo destas pessoas?

Para vos mostrar que é efectivamente possível falar dos mesmos assuntos e mesmo assim ter um cunho completamente pessoal que nos distinga dos demais e tal como eu disse no passado sábado na mesa redonda do Open Day do Armazém de Ideias – vocês podem até falar de paletes, mas se forem os melhores a falar de paletes, se falarem disso com verdadeira paixão e VERDADE serão reconhecidos por isso.

E isto serve para tudo sabem? Para os textos partilhados com base em outros textos, para as fotografias que são reproduzidas descaradamente por essas redes sociais fora ou para as receitas que levam ali uma ligeira alteração mas na verdade não passam de cópias descaradas de outras pessoas. Porque mudar umas palavras, ou um ingrediente não torna o resultado final teu. Porque copiar toda uma foto e mudar somente um pormenor não torna a tua original. Não, não e não, o que isto faz é mostrar que tu enquanto criador de conteúdo és uma farsa e terias muito mais a ganhar se de forma honesta dissesses que aquilo que estás a partilhar é adaptado de pessoa x.

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O Lolly Taste floresceu e chega carregado de amor-próprio

Este texto todo serviu de desabafo e de chamada de atenção.

Porque estas coisas sabem-se mais cedo ou mais tarde, por isso não queiram ser aquela pessoa que acaba a ser considerada uma total farsa sem identidade própria. Inspirem-se em outras pessoas, aproveitem a beleza da internet para trocar ideias, para ganhar ferramentas, mas no fim quando mandarem cá para fora o vosso conteúdo tenham a certeza absoluta que vos saiu do coração e não de uma busca marota em projectos alheios sim? #maisidentidademenoscópia

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13 Comments

  1. Responder

    Rita da Nova

    Novembro 21, 2018

    PORRA, Vânia. É mesmo isto, caramba. Assim que vi a Margarida Pestana a partilhar este post vim logo ler porque me identifico imenso com o tema (e depois tive a surpresa maravilhosa de ser dada como bom exemplo ❤️). Tu não imaginas o que eu sofro quando vejo cópias, tanto minhas como de pessoas que conheço. É uma falta de respeito gigante para quem, como nós, investem tempo e cabeça para criar coisas nossas. Obrigada por este post, mesmo!

    • Responder

      vânia duarte

      Novembro 21, 2018

      Tinhas que cá estar porque tens uma voz tão única que se distingue a milhas neste mundinho virtual e eu sei que tu também já sofreste com cópias. E esta porra custa para xuxu, por isso obrigada por continuares a trazer o melhor conteúdo 🙂

  2. Responder

    Catarina (Joan of July)

    Novembro 21, 2018

    Estava tão à espera deste post, Vânia! Ahahahah
    Já tínhamos falado sobre este mesmo assunto esta semana e já tínhamos percebido que é difícil de provar o plágio na internet, especialmente quando nos referimos a texto, mas caramba… quem segue percebe! Choca-me muito as pessoas acharem que não vão ser descobertas, que ninguém vai reparar… só podem ter (vários) parafusos a menos, para além de uma falta de imaginação e criatividade a roçar o embaraçoso.
    No meu caso, já me aconteceram coisas terríveis, perigosas mesmo. Recentemente usaram fotos mas num jornal, ou na versão digital de um jornal, o que é já de si muito grave.

    Há muitos anos, aconteceu-me algo pior: usaram fotos, não só que eu tirei, mas da minha pessoa, com a minha cara e fizeram um perfil em que todas as fotos eram minhas. A pessoa metia-se em chats com homens e depois era extremamente mal educada e ameaçadora, pelo que foi ameaçada de morte algumas vezes. O problema é que a cara era a minha e eu ainda morava no Porto, que é uma cidade pequena. Enfim… podia ter corrido muito mal.
    As pessoas não percebem que as coisas têm consequências, ou não querem saber. Lá por ser na internet não quer dizer que as consequências não passem para a vida “real”.

    Adorei que falasses deste assunto no blog, Vânia!

    • Responder

      vânia duarte

      Novembro 27, 2018

      isso que te aconteceu é das coisas mais assustadoras de sempre, a sério não consigo mesmo imaginar o que é passar por isso. De resto foi o que já falamos, as pessoas estã tao obcecadas por serem famosas e influenciadoras que perdem a total noção de identidade. um grande beijinho babe

  3. Responder

    Beatriz Ribeiro

    Novembro 21, 2018

    Olá Vânia. Ando pela blogosfera há relativamente pouco tempo e o meu blog é pequeno, talvez por isso tenha ficado surpreendida com o teu testemunho, porque não fazia ideia que este tipo de situações estava a acontecer. Estou chocada. É lamentável e triste e fizeste bem em denunciar. Beijinho
    Beatriz de ilhoa.pt

    • Responder

      vânia duarte

      Novembro 27, 2018

      infelizmente acontece cada vez mais, não só em blogues, mas com fotografias no instagram e em outras areas. beijinho grande

  4. Responder

    mysupersweettwenty

    Novembro 21, 2018

    Às vezes tenho medo de pisar a linha que separa a inspiração da cópia :/
    Parabéns pelo texto e por abordares um tema pouco falado nos blogs!

    • Responder

      vânia duarte

      Novembro 27, 2018

      o segredo é teres consciencia que estás a escrever algo porque sentes e queres e não porque deixaste inspirar-te demasiado noutra pessoa 🙂 um grande beijinho

  5. Responder

    Claudia Oliveira

    Novembro 23, 2018

    Muito giro! Segue-me 😉 Ahahaha Agora for a de brincadeiras…Que texto! Confirmo, ganhaste uma leitora. Realmente este é um assunto que me dá uma certa “comichão”, ainda não me apercebi de nenhuma cópia de texto mas já vi algumas pessoas serem copiadas no mundo da fotografia. O meu marido inclusive já viveu isso várias vezes no mundo da música e artes. Já a Coco Chanel dizia “se és original prepara-te para ser copiado”. E isto é tão verdade, é triste…mas é verdade! E é o que tu dizes, as pessoas optam pela via mais fácil, não há qualquer respeito pelo trabalho, processo criativo e pela pessoa em si. Vivemos num mundo demasiado egocêntrico, fazem de tudo para terem mais likes, comentários e seguidores! Eu estive presente no Open Day e adorei ouvir-vos falar, a blogosfera precisa de mais pessoas como tu, como vocês. Mesmo! Um grande beijinho. Claudia (sem acentos ;)) <3

    P.S.- O tamanho deste texto ainda está dentro dos que consigo ler online ahahaha

    • Responder

      vânia duarte

      Novembro 27, 2018

      AHAAHHA querida Claudia .) vou esforçar-me para me manter com os limites de texto dentro do razoável <3 Obrigada pelo apoio, é bom saber que apesar do digital estar a mudar ainda se encontram boas pessoas por trás de bons blogues como tu <3 beijinho grande

  6. Responder

    Margarida Pestana

    Novembro 24, 2018

    O melhor artigo de sempre, é muito importante falar-se disto!
    Temos de abrir os olhos e chamar a atenção para esta questão, que acontece tantas, mas tantas vezes.
    Obrigada por o fazeres de maneira tão séria, genuína e verdadeira.
    <3
    Muito orgulho em ti!

    • Responder

      vânia duarte

      Novembro 27, 2018

      Oh minha maggie obrigada pelo apoio, e acima de tudo é isto, ñ ter medo de abordar estes assuntos que infelizmente afectam cada vez mais pessoas. beijinhos grandes

  7. Responder

    Eli

    Dezembro 9, 2018

    Como eu concordo com isto! É verdade que há conteúdos que já foram mais do que falados, mas como dizes, cada um acrescenta o seu cunho pessoal! O mais importante é tentar citar sempre as fontes daquilo que se escreve… Porém, ás vezes escrevo sobre coisas que já li tantas vezes que de tanto serem absorvidas por mim já nem consigo sequer encontrar uma fonte. O que lemos acaba por se tornar parte de nós. O “pior” é quando lemos um texto que parece verdadeiramente ter sido escrito por outra pessoa ou quando um autor tem vários textos que parecem ter sido escritos por pessoas diferentes… Muito obrigada por este post, abordas sempre tópicos interessantes! Beijinho,
    Eli do blog http://www.umaflordecadavez.blogs.sapo.pt

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