Offline House Portugal: Desconectar para Reconectar

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Ainda te lembras da última vez que estiveste 1 dia inteiro sem olhar para o telemóvel? Ainda te lembras da última vez que o deixaste ficar sem bateria durante dias? Ainda te lembras da última vez que não olhaste para o Instagram, que não tiraste uma selfie ou que simplesmente estiveste completamente desconectada do mundo online? Se estás a pensar para ti que já não te lembras de quando isso aconteceu, não te sintas mal, porque eu, até ontem também já não me lembrava, e foi preciso estar exactamente 8 dias sem telemóvel para perceber o quanto eu estava completamente dependente deste objecto.

Ora fala-se muito hoje em dia de detox digital e de Mindfulness, eu própria abordei esta temática aqui no blogue através dos dois posts abaixo:

Mas a verdade é que sinto que nunca estivemos tão desconectados de nós próprios como hoje em dia e sim eu incluo-me neste grupo.

Basta olhar para as redes sociais para perceber que a grande maioria das pessoas nem sequer consegue ir de férias sem partilhar o que anda a fazer, acabando por ir de férias com a família e com mais uns quantos seguidores. Acaba até por ser algo contraditório quando alguém diz que vai de férias para descansar e depois de x em x tempo está a partilhar o prato da comida, o dia de praia, ou aquela paisagem incrível – e sim eu também fazia isto.

É óbvio que não há mal nenhum em partilhar com quem nos segue, mas porque não fazê-lo depois? Porque não desfrutar do nosso tempo livre para estarmos mais presentes no nosso corpo, na nossa mente e nas pessoas que realmente nos rodeiam e depois partilhar com o resto do mundo quando regressarmos? É graças a toda esta dependência virtual, que surgiu o Offline House Portugal pelas mãos da Bárbara e da Rita que perceberam que as pessoas estão cada vez mais, a perder a simples capacidade de ter uma conversa num café sem olhar para o telemóvel.

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Assim sendo, no Offline House Portugal não tens wi-fi

Os telemóveis ficam fechados num cacifo à chegada e em vez de estares a partilhar instastories daquela praia maravilhosa, ou do prato delicioso que acabaste de comer, és convidado a conectar-te contigo através de aulas de yoga, surf, e com pessoas do mundo inteiro através de passeios, jantares partilhados e conversas noite dentro, és acima de tudo convidado, a desfrutar do verdadeiro sentido de ser e estar Mindfulness, vivendo o presente sem notificações, mensagens ou hashtags.

A casa é linda, acolhedora, respira paz e silêncio. Com uma piscina maravilhosa, um grande jardim e quartos muito confortáveis, podes optar por um quarto privado ou dormitórios que têm no máximo 4 camas. O interior da casa convida ao convívio, com sofás confortáveis, muitos instrumentos musicais para dar largas à imaginação e imensos jogos de tabuleiro para nos relembrar que é muito mais giro jogar com pessoas reais do que com um ecrã. À volta existem praias incríveis – Arrifana, Monte Clérigo, Amoreira, Vila do Bispo ou Amado.

Uma das coisas mais incríveis do Offline House Portugal é permitir-nos fazer um retiro sem sair de Portugal.

E isto mostra que não é preciso ir para Bali, Tailândia ou qualquer outro sítio paradisíaco para nos encontrarmos connosco próprios – até porque grande parte das pessoas que viajam para estes locais em busca de retiros continuam sem largar os telemóveis. Aquilo que o Offline House Portugal nos proporciona é podermos efectivamente perceber o quanto estamos dependentes do mundo virtual sem saírmos do nosso país, com a vantagem que neste espaço vamos encontrar tantas nacionalidades diferentes que acabamos mesmo por nos sentir “lá fora cá dentro. Afinal de contas numa única semana conheci Australianos, Ingleses, Franceses, Eslovenos e até um Neo Zelandês e ainda desfrutei de uma Full Moon Party.

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A minha ida para o Offline House Portugal teve uma razão.

Sim foram férias obviamente, mas foi muito mais do que isso, foi poder resgatar-me de um completo burnout em que eu estava mergulhada e que vos irei falar mais a fundo num próximo post. E para perceberem o quanto eu estava desesperada para largar o telemóvel, assim que a Bárbara mostrou os cacifos e explicou que a ideia era estar sem o mesmo dentro e fora da casa eu quase que atirei o telemóvel para dentro do cacifo como se me estivesse a queimar as mãos.

Foi um libertar físico e psicológico e foi acima de tudo um grande passo para perceber que apesar de partilhar pequenos-almoços saudáveis, de treinar conscientemente e de defender uma vida saudável e equilibrada, eu nunca estive tão desconectada de mim mesma como nos últimos 6 meses. E isto acabou por ser confirmado com os resultados das minhas últimas análises.

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A minha semana de férias terminou

E é engraçado que pela primeira vez em muito tempo, não sinto aquela tristeza de voltar ao trabalho, não sinto que as férias passaram rápido e não estou stressada por regressar à minha rotina. Muito pelo contrário, sinto que vivi tão presentemente a minha última semana que estou com as baterias recarregadas para os próximos 2 meses e meio até às férias grandes, e sinto acima de tudo que vou querer manter este espírito offline bem presente de agora em diante. Por isso, decidi eliminar de vez o telemóvel no quarto e comprometi-me a ter pelo menos um dia da semana completamente offline, tendo escolhido o Domingo para isto.

Por isso, se recomendo o Offline House Portugal? Sim, sim e sim. Por todas as razões e mais algumas, mas acima de tudo, porque é urgente conseguirmos ouvir o nosso corpo e as nossas pessoas sem ruído de fundo. É acima de tudo urgente voltarmos a aprender a estarmos por inteiro na vida.

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4 Comments

  1. Responder

    Flor Oliveira

    Julho 2, 2018

    Obrigada Vânia 🙂 isto parece-me ir mesmo de encontro ao que tenho procurado .. por vezes tão difícil nos é desligar que nem nos apercebemos do quão “viciados” estamos na tecnologia .. obrigada pelo lembrete e pela “wake up call”.
    Vou espreitar o espaço . O conceito vai muito de encontro com os retiros q estou a criar no Comidamor .. obrigada pela partilha 🙂 beijinhos Flor

  2. Responder

    Miguel Oliveira

    Julho 2, 2018

    O Offline House pode mudar a vida de uma pessoa que assim queira! Tudo no Offline House é bom! Vão que não se irão arrepender 😉

  3. Responder

    Filipa Ferreira

    Julho 2, 2018

    É por estas razoes que sou grata aos momentos de instagram, mas só por isso! Por me ter colocado no caminho de pessoas tão inspiradoras como tu Vania. É cansativo, é ridiculo, é extenuante, é muitas vezes uma perda de tempo e é tantas vezes um piloto automático tão mas tão vincado nas nossas vidas que quando damos por isso, nesse momento, quase que sinto que estou perante uma eureka, por ter percebido que mais uma vez estou em piloto automático a fazer scroll no instagram… ao ponto que chegámos! Fiquei tão curiosa com este retiro querida Vania. Obrigada pela dica.
    um beijinho para ti e aquele abraço 🙂

  4. Responder

    Rosarinho & Susana

    Julho 3, 2018

    Querida Vânia adorámos este teu post/partilha 🙂 Para uma de nós, o fim de semana que passou, também foi mágico (não fiquei totalmente offline, mas estive conectada comigo, com a natureza com a pessoa que amo longe da cidade, da correria…) Confesso que passo muito tempo ligada à rede, mas começo a ter consciência de que preciso de me desligar mais. E a verdade é que depois de jantar carrego no botão off e dedico-me à leitura, à conversa, vejo a minha série de culto, preparo o meu Dot Journal e sinto-me, verdadeiramente bem! Acho que ganhar esta consciência é um primeiro passo!
    Beijinhos

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