Nem gorda nem magra

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Quando comecei a perder peso o meu objectivo sempre foi ser magra. Mesmo magra, com uma anca muito pequena e pernas finas. Esse era o meu ideal de beleza.

Ora eu sempre tive ancas largas, a minha mãe tem, a minha avó tinha portanto é genético, mas isto sempre me deixou muito frustrada. Eu perdia peso, mas as ancas que eu queria, o corpo que eu tinha como padrão não me aparecia.

Até que eu cheguei a uma fase da perda de peso em que  não era gorda nem era magra

Pelo menos a magra que eu queria ser. Eu já não pesava 75Kg mas também não era a magra que eu tinha idealizado na minha cabeça e andava ali naquele limbo entre querer saber o que era ser mesmo magra. Como se o ser mesmo magra tivesse um sentimento específico que eu andava furiosamente em busca para me sentir melhor comigo própria.

E isso deixava-me frustrada, porque na minha cabeça eu não conseguia encaixar no padrão de magreza que eu tinha estipulado como perfeito mas também já não me considerava gorda e durante anos, este foi o meu padrão que me impedia de me sentir verdadeiramente feliz ou de ter uma relação saudável e natural com a comida e comigo própria. E tudo isto por causa de um padrão.

Passamos a maior parte das nossas vidas a querer encaixar num padrão  – o magro. Ninguém quer estar no gordo, mas mesmo quando as pessoas chegam ao padrão magro a maioria continua a achar que ainda não chegou lá. Na maioria dos casos continua a existir uma sensação de falhanço por ainda não ser bem aquilo e é preciso mais um esforço.

Eu vivi anos assim, a achar que ainda não era suficiente

Que ainda podia melhorar, que ainda podia fazer mais qualquer coisa para ser efectivamente magra. Vivi anos a querer a aprovação dos outros e quando a tinha em vez de me sentir bem com isso, dizia que estavam a exagerar e que ainda me faltava muito. No fundo eu vivi anos sem saber apreciar as minhas próprias conquistas porque vivia obcecada em encaixar num padrão e o caminho que eu trilhava para lá chegar em vez de me deixar orgulhosa, deixava-me cansada e infeliz.

Aquilo que acabei por perceber muito a custo

É que viver uma vida em busca de encaixar num padrão é cansativo, e na maior parte das vezes culminava sempre com compulsões alimentares, porque não conseguia lidar com a minha sensação de fracasso de outra forma. Até que chegou a uma altura em que tive de decidir se queria continuar a encaixar no padrão que eu entendia que é perfeito ou se, queria ser só eu, assumindo-me por inteiro.

E mesmo que às vezes. ainda me passem pela cabeça pensamentos menos felizes sobre mim e o meu corpo, eu passei a querer estar no padrão que me diz que não há nada de errado comigo. E neste momento, isto basta-me para me manter feliz.

fotografia tirada por Tânia Carvalho

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