Quando o amor e uma oportunidade salvam vidas animais e humanas

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Diz-se que o amor é dos sentimentos mais poderosos que temos. É pelo e com amor que movemos o mundo. O amor torna-nos super-heróis sem capa, e tem acima de tudo tem a capacidade de salvar vidas quando menos esperamos.

Em 2016 sofri um grande e duro golpe na minha vida.

O meu Pablo faleceu por negligência. E eu senti que naquele momento uma parte de mim se tinha escapado das minhas mãos sem que eu tivesse a capacidade para o impedir. Durante muito tempo culpei-me brutalmente pela morte dele e jurei para mim mesma que nunca mais iria querer outro animal.

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É verdade que se fala muito hoje em dia na humanização dos animais. Há quem ache excessivo, há quem entenda que esta é uma dor real. Que perderes um ser que convive contigo durante 4 anos, que divide o mesmo espaço, que te ampara quando estás doente e que olha para ti todos os dias como se fosses o ser mais incrível do mundo é efectivamente doloroso. É no fundo como se perdesses uma parte de ti.

Eu não estava minimamente preparada para o que aconteceu.

Penso que quem ama os seus animais nunca está. Mas a forma como o Pablo faleceu não foi “normal” e por isso doeu de uma forma inexplicável. Doeu de revolta. De ódio. De frustração. De inconformismo. Doeu como se me tivessem arrancado um pulmão e se tornasse insuportável respirar. Doeu como se me tivessem arrancado um bocado do coração e fosse impossível voltar a amar desta forma. Doeu durante muito tempo. Até que tal como já contei por aqui, encontrei um ser, laranja de olhos verdes na internet e a minha alma parou. A minha alma ficou petrificada com a intensidade daquele pequeno e frágil animal e enquanto por um lado eu lutava brutalmente contra o facto de não querer outro animal porque não estava minimamente preparada para voltar a sofrer, por outro o meu coração que voltava a bater devagarinho clamava por saber mais sobre ele.

Vocês já sabem da história na verdade – para quem não sabe cliquem nos links que vos deixo a seguir – mas acabei por me apaixonar por um gato adulto com Fiv, justamente no momento em que ainda estava a viver o meu luto com o Pablo. E foi duro aceitar que aquele que me tinha roubado o coração trazia com ele uma doença incurável e que o pode matar. Podia dizer-vos que a decisão de o adoptar foi difícil, mas estaria a mentir. Depois de o conhecer eu soube que ele era meu e eu era dele. Estava destinado se quisermos entender assim.

O Robin veio para minha casa juntamente com o Luke.

A supresa número dois da minha vida que trouxe uma alegria incrível a esta casa. O Robin e o Luke vieram para esta casa, eu voltei a ser eu e eles tornaram-se dois gatos absolutamente lindos. Quem conhece o Robin, quer sempre saber mais sobre a doença que ele traz. Se toma alguma coisa. Se come alguma ração especial. Se tem algum tipo de cuidado especial. E todas as pessoas sem excepção ficam de sorriso nos lábios quando eu digo orgulhosa que não. Que ele não toma nada, que come o mesmo que o Luke e que vive a sua vida pachorrenta de gatos das botas tranquilamente.

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É o amor. Dizem-me as pessoas. E eu aceno com a cabeça de forma orgulhosa.

Sim é o amor. Sem dúvida que é o amor que torna este gato feliz, saudável e cheio de vida, porque no fundo é o que todos precisam, de amor e gatos como ele ainda mais. O Robin prova todos os dias que ter esta doença não o torna menos capaz que outro gato. Não o torna mais feio, mais complicado ou menos incrível. E sim as coisas podem mudar, mas foi graças à oportunidade que eu decidi dar a nós dois que ambos nos salvámos.

E foi a pensar na importância que é dar uma oportunidade a um animal abandonado, que dei por mim a ver fotos antigas do Robin. De quando foi encontrado na rua, magro, doente e cheio de fome e as lágrimas de alegria correram-me pela cara, quando percebi a diferença. E só por isto já valeu a pena ter deixado o medo de voltar a sofrer de lado e ter-lhe dado uma oportunidade. E é também por isto que visto a camisola da UPPA e celebro todas as recuperações a que assisto. Porque eles sofrem. Eles infelizmente sofrem muito às nossas mãos mas têm uma capacidade incrível de perdoar e de voltarem a sorrir com os olhos. É exactamente por isto que independentemente de apoiar muitos projectos, a causa animal será sempre a minha causa.

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Dizem-me algumas pessoas que tive coragem e que o salvei.

Entendo o que me dizem. Mas a verdade é que acredito profundamente que mais do que eu ter salvo o Robin, foram eles que me salvaram. Salvaram-me de um buraco escuro em 2016 após a dolorosa morte do Pablo. Salvam-me quando tenho um ataque de pânico e se colocam ao meu lado a ronronar para me acalmar. Salvam-me de cada vez que eu chego a casa e estão à minha espera. E salvam-me todos os dias quando olham para mim como se eu fosse a pessoa mais especial do mundo.

E no fim é por isto que eu continuo a acreditar em oportunidades. Porque não há nada de mais incrível que olhar para o antes e depois e ver…AMOR 🙂

O Robin e o Luke foram adoptados na Associação Bigodes Fofos. Se quiserem dar uma oportunidade a um patudo passem pela página e apaixonem-se. Se quiserem partilhar comigo as transformações dos vossos patudos enviem-me email, ou falem comigo no Facebook e no Instagram que eu adoro ver mudanças felizes.

Abril 11, 2018

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8 Comments

  1. Responder

    Miguel Oliveira

    Abril 9, 2018

    Anjos de quatro patas <3

    • Responder

      vânia duarte

      Abril 9, 2018

      sem dúvida 🙂

  2. Responder

    Sandra Paço.

    Abril 9, 2018

    Pronto….. Lá vem as lágrimas… Não de tristeza mas sim de uma felicidade plena, de uma alegria tão grande que parece que nem cabe no coração…. Ainda tenho um AVC à tua conta Vânia 😋
    Obrigada por tudo, obrigada por amares esses seres e por permitires ser amada por eles! ☺️

    • Responder

      vânia duarte

      Abril 9, 2018

      Oh 🙂 Eles merecem, são os dois absolutamente apaixonantes não dá como não os amar <3

  3. Responder

    Janeisa Tomás

    Abril 9, 2018

    Olá Vânia, li seu post e me emocionei bastante com seu relato. Sou louca por felinos, tenho 4 gatos em casa. Uma himalaia de 12 anos, um exótico de 3 anos e meio e mais dois exóticos que vieram fazer companhia em março passado. Perdi meu Boris em novembro. Foi uma morte brusca, inesperada, de uma doernça rara que o levou de meu convívio rapidamente. Ontem, 08 de abril fez 3 anos que eu tinha trazido para minha casa. Era um exótico lindo p&b e foi o gato que mais amei, apesar do pouco tempo que passou comigo. Ele nasceu em setembro de 2014, eu o encontrei em 08 de abril de 2015 e ele morreu em 26 de novembro de 2017. Eu sofro diariamente por sua morte e sei como estes bigodinhos nos dão um amor incondicional e nos fazem felizes. Espero que seus dois gatinhos, apesar da doença, tenha uma vida tranquila e sei que você é o anjo da vidinha deles.
    Grande beijo!
    Janeisa Tomás

    • Responder

      vânia duarte

      Abril 11, 2018

      Querida Janeisa obrigada por teres contado a tua história, sei bem a dor que é perder um ser precioso como os nossos bigodinhos lindos, mas tenho a certeza que ele está no céu dos gatos muito agradecido por ter vivivo feliz ao teu lado. Um grande beijinho

  4. Responder

    Catarina

    Abril 9, 2018

    Querida Vânia, o que eu já chorei a ler isto…
    O meu primeiro cãozinho, o Spike, morreu envenenado…ele nunca saía à rua sozinho, ou seja, o sacana que fez isso teve o desplante de atirar com qualquer coisa envenenada para dentro da nossa vedação…o meu Spike era muito guloso, logo comia tudo o que via… Senti que me tinham arrancado um bocado de mim, tal era a dor e a raiva. Fiquei muito mal, fui muito a baixo. E, tal como tu, jurei que não queria mais nenhum animal. Até que, alguns meses depois, me deparo com uma bolinha de pêlo castanha e apaixonei-me perdidamente pelo meu Ben, o meu bom gigante, que estava a caminho do canil caso eu não ficasse com ele! E depois vieram os meus dois felinos, o Mi e o Senhor Pequeno, que foram abandonados à porta de minha casa e eu nem pensei duas vezes em dar-lhes um lar!
    Sou uma pessoa muito mais feliz com eles! Foram eles que também me salvaram no momento mais negro da minha vida. Os animais têm esta capacidade mágica de nos ensinar o que é o amor incondicional!
    Um grande beijinho princesinha**

    • Responder

      vânia duarte

      Abril 11, 2018

      Oh Catarina que maldade que fizeram com o Spike. Não consigo compreender como alguém faz uma coisa dessas, que crueldade 🙁 Felizmente também tu abriste o teu coração novamente e tens 3 patudos para amar e ser amada. Adoro o nome Senhor Pequeno <3 beijo grande querida

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