Porque treino eu?

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Durante anos eu treinei para emagrecer. Quando tinha quase 80 quilos queria pesar 60, então entre vomitar, fazer dietas e muito exercício esse era o meu objectivo. Depois os 60 vieram e eu quis muito chegar aos 55. A fórmula continuou a mesma e eu alcancei esse objectivo. Depois vieram os 50 – os tão amados 50 que já vos falei num post anterior – e de seguida os 47.

E este sempre foi o meu grande objectivo para me arrastar até um ginásio cheio de pessoas. Emagrecer ou punir-me por ter passado o fim de semana a comer que nem uma louca. Ou ter passado o Inverno a meio gás, lembrando-me em Abril que o Verão estava mesmo ali ao virar da esquina.

Eu nunca treinei com grande amor essa é a verdade.

E eu sei que pode ser estranho, porque eu partilho as minhas rotinas de treino às 7 da manhã. Mas eu acho mesmo, que só me apaixonei verdadeiramente pelo treino quando fiquei doente em 2016 e saí do ginásio. E é engraçado perceber isto, porque nessa época eu treinava imenso. Tinha um PT, treinava todos os dias, e faltar a um treino era uma coisa inconcebível para mim. E quando acontecia deixava-me muito em baixo. A fazer contas de cabeça em como teria de cortar na comida nesse dia, para não “estragar” todo o esforço dos último dias.

A questão é que nessa época mais do que treinar por amor eu treinava por doença. Porque eu já estava bastante magra e queria continuar a emagrecer. Treinava por obsessão, porque se falhasse um treino era sinal de que era fraca, gorda e nojenta. Treinava acima de tudo porque nada do que via em mim era bonito. Então treinar, nunca foi para me tornar uma melhor versão de mim, mas sim para me tornar uma pessoa completamente diferente daquela que eu via ao espelho, porque sempre me odiei. Mesmo já estando magra.

Ora em Julho do ano passado, quando comecei a tratar esta minha lesão no joelho, tive de reduzir muito a minha carga de treinos e parar com o Crossfit – felizmente regressei no mês passado. Na verdade posso dizer-vos que estive praticamente parada entre Dezembro e o final de Fevereiro e apesar de ter sentido falta de treinar, percebi que essa falta era muito mais mental do que física. E como é que cheguei a esta conclusão?

Porque não desatei a comer tudo o que tinha em casa.

E isto era o que sempre me acontecia quando eu não treinava por alguma razão – ou porque ia de férias, ou porque faltava o treino, ou porque era Natal. Eu arranjava desculpas para comer descontroladamente e depois começava a cortar na comida drasticamente para compensar o facto de não treinar e estar a comer compulsivamente. Este era o meu método para lidar com a falta de treino. Era como, se faltar a um treino, me desse crédito para meter a boca em todos os doces e pão do mundo. No fundo treinar para mim sempre combinou com alimentação saudável e não treinar sempre combinou com loucura alimentar.

Regressando à minha lesão, eu estive efectivamente quase 3 meses a treinar muito pouco.

Fazia uns treinos na praia com o meu grupo do coração, mas coisas muito leves. E acima de tudo procurava levar à letra tudo o que aprendia na fisioterapia. Fazendo os exercícios em casa de forma muito dedicada. E os meses foram passando e eu comecei a sentir realmente falta de treinar a sério. Falta de terminar um treino com um pulmão de fora. Mas esta falta não surgiu porque me estivesse a sentir gorda ou porque quisesse agora, apagar em meses todos os pecados alimentares, mas sim porque realmente senti falta mentalmente de começar o dia a treinar. Não por punição mas sim por puro prazer. Não porque preciso de estar bem para o Verão, mas porque a minha energia e o meu brilho são outros quando eu começo o dia a mexer-me.

E acabei por chegar à conclusão, que apesar de ainda ter várias coisas interiores para trabalhar.

Estes últimos dois anos de busca por uma vida mais equilibrada deram-me uma maturidade completamente diferente para eu conseguir lidar com uma lesão destas sem me afogar em comida, por estar frustrada pela falta de treino. E isto deixa-me com um orgulho que não me cabe no peito. A verdade é que hoje em dia eu sinto que treino porque realmente tenho prazer no que faço. Treino porque quando não o faço me sinto com menos energia. Treino para me tornar mais capaz e descobrir coisas incríveis que consigo fazer com este corpo.  Treino para me tornar mais ágil, mais forte e mais saudável mas acima de tudo eu treino porque gosto mesmo de mim, assim tal e qual como sou.

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