Eu privei-me de viver por inteiro durante 15 anos

aprender a emagrecer lolly taste blog

Há alturas em que entro em introspecção sobre o meu passado. Sobre toda a luta desmedida que travei comigo própria e sobre as consequências boas e más que tudo isto me trouxe. E num destes momentos dei por mim a pensar sobre as maiores privações da minha vida.

Podia dizer-vos que me privei durante muitos anos de comer banana porque achava que engordava apesar de adorar. Podia dizer-vos que me privei de muitos almoços e lanches com amigos porque não conseguia calcular à grama aquilo que ingeria. Podia até dizer-vos que me privei de muitas idas à praia por ter vergonha do meu corpo. Mas na verdade tudo se resume a ter-me privado de viver em pleno durante 15 anos.

E quando percebo isto, dói-me cá dentro sabem.

Foram muitos anos a ter medo de comer, de me olhar ao espelho e de procurar uma dieta milagrosa. Foram muitos anos a pesar-me. A vomitar. E a treinar de forma completamente descontrolada. Foram muitos anos com medo do Verão e da praia. Com medo daquele caminho entre a toalha e o mar, onde tinha de expor todas as minhas fragilidades. Foram muitos anos a achar que não era suficiente.

A privação de viver esta vida por inteiro sempre me fez acreditar que eu era fraca demais. Que a culpa para não ser feliz era única e exclusivamente porque não tinha o peso perfeito. Porque não tinha o corpo perfeito. E porque comia demasiado quando algo me fugia do controlo. E isto acabava por funcionar como uma bola de neve. Porque quanto mais eu me odiava menos me queria mostrar. E quanto menos eu me mostrava mais me privava de desfrutar das coisas incríveis que a vida tinha para me dar.  Esta privação de viver fez com que durante anos eu sentisse que estava constantemente a esforçar-me para ser algo em vez de simplesmente deixar as coisas acontecer.

Sugestão
Abril o mês em que fui ao fundo várias vezes e renasci

Acabo por perceber isto quando olho para a minha relação comigo própria agora hoje em dia.

Não, eu não sou 100% feliz como já vos disse e também não me adoro todos os dias, mas a minha expectativa para comigo é muito diferente. Eu já não quero ser a melhor. Já não quero ser a mais incrível. Já não quero ser a mais perfeita. Quero simplesmente ser. Ser por inteiro. Ser com defeitos e com muitas qualidades. Ser acima de tudo de verdade. E esta verdade tem estrias. Esta verdade tem celulite e até uma ligeira barriga. Esta verdade tem imperfeições físicas que contam uma história de 15 anos de privações.

Há quem diga hoje em dia, que eu transmito uma óptima energia.

Mas na verdade acho que sou só eu a querer agarrar com todos os sentidos a vida que me passou pelas mãos durante anos. No fundo depois de 15 anos a privar-me de viver uma vida por inteiro, é como se estivesse a aprender a andar, a correr, a nadar e a saltar tudo ao mesmo tempo. E apesar de às vezes ainda dar alguns trambolhões, garanto-vos que agora que aprendi esta nobre arte que é saber apreciar a vida sem medo de não estar bem na fotografia, não me quero privar de nada… nem de mim.

RELATED POSTS

14 Comments

  1. Responder

    Sofia Marques

    Março 7, 2018

    Vamos sempre dar muitos trambolhões mas o importante é saber levantar e continuar a andar. É neste processo de nos erguemos que vivemos e temos de apreciar todos os detalhes. Não podemos ficar sentados à espera que alguém nos ajude a levantar. Esse alguém somos nós mesmas 🙂
    Palavras tão bonitas as tuas, que inspiração <3

    • Responder

      vânia duarte

      Março 7, 2018

      assino totalmente por baixo querida Sofia 🙂

  2. Responder

    Marta Machado

    Março 7, 2018

    Olá!
    Não há dúvida que quando estamos bem, isso transparece e é perceptível aos outros 😉
    Bjinhos

    • Responder

      vânia duarte

      Março 7, 2018

      quando a nossa luz brilha, tudo À volta brilha mais 🙂

  3. Responder

    Joaninha

    Março 7, 2018

    Acabei esta publicação com lágrimas de dor e felicidade a correr-me pelo rosto abaixo. Nem sei que te dizer, Vânia. Vou tentar começar por onde conseguir:
    1° OBRIGADA. É tão isto que muitos de nós precisamos de ler e ouvir.
    2° Também eu desperdicei tempos e momentos, porque, a minha cabeça não era controlada por mim, mas sim pela pessoa que eu achava que devia ser. Ó, Ó, isto é uma valente treta. Eu devo ser isto, eu devo ser aquilo, eu devo fazer aquela coisa, eu tenho de chegar ali, etc. Sem nunca pensar que o que era, e sou, o que eu já tinha conseguido e o que eu conseguia todos os dias é, efectivamente, bom e suficiente para mim e para as pessoas que nos rodeiam.
    3° perdi tanto tempo a tentar ser que me esqueci de dar atenção aos meus, a mim e às minhas coisas.
    Agora, quero viver. Não estou curada – algum dia vou estar!? -, porém, não quero olhar para trás e pensar: “devia ter estado com aquela pessoa, devia ter feito aquilo, devia, devia, devia!”. Não! Quero olhar para trás e sorrir ao recordar, ou chorar ao recordar. A vida não é um campo de flores bonitas e coloridas, mas, é mesmo por não ser que se torna tão magnífica e interessante.
    Obrigada por mais um teste fantástico, Vânia. Beijinhos.

    • Responder

      vânia duarte

      Março 7, 2018

      Querida Joana nem sei bem como te agradecer tanto carinho 🙂 Fico tão mas tão feliz que as minhas partilhas possam inspirar outras pessoas a encontrarem o seu caminho. E fico ainda mais feliz em saber que aos poucos estás a encontrar o teu. E mesmo que às vezes as coisas pareçam negras nunca te esqueças que estás mais longe do que estavas ontem 🙂 e isto é motivo suficiente para sentires orgulho. um grande beijinho

  4. Responder

    Ana Beatriz Pereira Martins

    Março 7, 2018

    Ainda bem que consesguiste chegar a um estado superior. Felicidades!!

    Beijinhos ♥

    • Responder

      vânia duarte

      Março 12, 2018

      obrigada por me leres 🙂 beijinhos

  5. Responder

    Carolina Franco

    Março 7, 2018

    Sempre reflito imenso com os teus posts, mas isso já aqui referi. Já me privei de muita coisa. Odiava tirar fotografias. Só o gostava de fazer quando era magra e estava com os ossos a aparecer. É horrível hoje em dia olhar para aquelas fotografias. A dor que sentia, interiormente notava-se no meu olhar e na minha expressão. É horrível de facto olhar para elas. Como podia eu gostar alguma vez, daquilo que via? Agora aproveito muito mais a vida. E tem de ser assim. Obrigada por cada post! És incrível mesmo! Beijinhos <3

    • Responder

      vânia duarte

      Março 12, 2018

      Carolina muito obrigada pelo carinho, fico sempre muito feliz por saber que as minhas partilhas podem fazer a diferença. beijinhos

  6. Responder

    Claudia - Mulher XL

    Março 8, 2018

    Parabéns por teres superado isso e estares mais consciente na jornada do amor próprio. Não é fácil mas é possível chegar lá. E ao contrário do que muita gente pensa… autoestima não tem a ver com peso ou tamanho… 🙂

    Boa sorte!

    beijinho
    Claudia

    • Responder

      vânia duarte

      Março 12, 2018

      Sem dúvida Cláudia, o peso é só um número e números variam muito 🙂 beijinhos

  7. Responder

    Lara Fonseca

    Março 9, 2018

    Olá, querida Vânia.

    Quero apenas dizer-te….OBRIGADA. Por partilhares a tua história e por me fazeres parar e refletir na minha própria vida, na minha própria história.

    Beijinhos

    Lara

    • Responder

      vânia duarte

      Março 12, 2018

      Oh Lara, obrigada eu por me leres 🙂 um grande beijinho

LEAVE A COMMENT

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.