A responsabilidade de ser uma inspiração digital

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Dou por mim muitas vezes a pensar sobre isto de ser-se uma inspiração digital. Ou melhor sobre a responsabilidade que existe em tornares-te uma pessoa que pode influenciar outras. E quando penso nisto a fundo sinto um certo medo sabem?

Vivemos numa era de influenciadores. Ter um blogue, Instagram ou Youtube reconhecido, tornou-se um dos grandes objectivos de muitas pessoas. E o mercado cada vez mais atento a este boom que é a influência digital, oferece cada vez mais, serviços. Que prometem sucesso garantido e truques milagrosos para ganhar mais seguidores. Mais alcance e consequentemente mais influência. No fundo para muitas pessoas influência acaba por se resumir a números, quantos mais melhor, esquecendo-se do impacto que podem vir a ter em quem os segue.

Há quem diga que os blogues estão a perder qualidade.

Que são cópias uns dos outros. Que não há assuntos novos e que quem é bom mas não tem uma cunha não se destaca. Na realidade não concordo, pelo menos em parte. Sim há muito conteúdo parecido, mas este problema já vem de trás. Há 5-6 anos que os blogues começaram a ficar com temáticas muito parecidas e visualmente muito semelhantes. Mas será que isto significa que tudo se tornou mau de repente? A verdade é que ninguém anda aqui a inventar a roda, portanto ser completamente original num mundo onde tudo já está inventado torna-se difícil, no entanto é possível destacares-te positivamente mesmo comunicando o mesmo que outras pessoas. Portanto o problema não está tanto no que se comunica mas na forma como é feito.

Por essa internet fora, vejo pessoas em buscas loucas por parcerias.

Receber coisas e mostrar, acaba por ser entendido como um sinal de status – mesmo que estejam 10 pessoas a comunicar o mesmo. As marcas sabem que o digital neste momento tem uma grande potencialidade. E portanto veem nos influenciadores uma forma de se promoverem. A grande questão é que tu, quando escolhes publicitar uma marca tens de te responsabilizar pela influência que podes ou não trazer às pessoas que te seguem. E é exactamente aqui que eu sinto que a maioria peca.

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Ao ter exposto a minha história em 2016, acabei por criar sem querer uma comunidade que se identifica com o que partilho. E digo sem querer, porque efectivamente quando desabafei em 2016 sobre o caos em que estava a minha saúde por causa das muitas dietas que fiz, nunca pensei que iria ter a repercurssão que teve e consequentemente encontrar a minha voz enquanto blogger. Por falar tão abertamente de temas tão sensíveis como bulimia, dietas ou ataques de pânico, muitas pessoas acabam por se identificar e agradecem-me por dar voz a muitas coisas que não conseguem admitir e por acima de tudo as inspirar.

Ler todas estas coisas deixa-me sempre com uma enorme gratidão

E com sensação de estar efectivamente no caminho certo para aquilo que quero fazer com o Lolly Taste. Mas também me deixa angustiada às vezes. Não quero que me interpretem mal, porque eu adoro receber todas as mensagens e emails que recebo com desabafos. Mas acima de tudo, sempre que isto acontece eu percebo que tenho cada vez mais, uma grande responsabilidade enquanto pessoa que inspira outras. Porque sei que abordo temas sensíveis. Porque sei que o meu exemplo pode dar esperança a outras pessoas para alcançarem uma vida mais equilibrada e feliz. E ter esta noção de responsabilidade apesar de bom é efectivamente assustador.

Porque a verdade é que eu não sei como é que as minhas palavras podem ser entendidas no outro lado. Não sei como é que alguém se vai sentir, quando eu digo que consegui controlar as compulsões alimentares e esse alguém já tentou mil vezes e não conseguiu. Tudo isto é responsabilidade e ninguém te fala nisto quando promete tornar-te um grande influenciador digital.

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O que sinto é que hoje em dia há uma procura louca por se ser uma inspiração digital

E por se ter uma história incrível para contar. De repente todas as pessoas querem tornar-se inspirações. Inspirar tudo à volta, esquecendo-se que se todos formos inspirações não haverá ninguém para inspirar. No fundo é quase como se fosse a solução milagrosa para ter sucesso digitalmente. Esquecendo que tudo aquilo que partilhas pode ter impacto na vida de outra pessoa.

Uma das coisas que mais me custa, são as muitas publicidades que começam a surgir a partir de Abril a suplementos para emagrecer. Por essa internet fora vemos influenciadores a promover este tipo de coisas, muitas delas com a promessa que são naturais. A questão é que o ser natural não significa que não possa fazer mal. Afinal de contas a natureza dá-nos cogumelos por exemplo, e alguns são venenosos.

Portanto tem de haver consciência no impacto,

Que este tipo de publicações podem ter na vida de alguém e saber dizer que não. Porque é que os blogues acabam por ser todos iguais? Porque os bloggers não sabem dizer que não. Porque têm medo de ao dizer que não a certa proposta, não venham a ter mais nenhuma. Mas como influenciador tens de ter honestidade para contigo e para com a tua audiência. E saber dizer que não, quando efectivamente não faz sentido. Acima de tudo tens de perceber que mesmo que não tenhas 10 mil seguidores no Instagram ou mais, se publicas regularmente, se partilhas as tuas opiniões, também tu, estás a influenciar.

Eu continuo a acreditar muito em blogues.

Aliás acho que os blogues estão novamente a renascer e há projectos com uma qualidade gigante que merecem ser reconhecidos. Para além disso não vamos ser hipócritas, nós escrevemos porque queremos ser lidos, se não, tínhamos projectos anónimos. Na verdade desconfio sempre de alguém que tem um blogue e me diz “ah não me interessa nada se as pessoas me leem ou não”. Portanto, sim vejo o futuro dos blogues com bons olhos. Mas a responsabilidade digital tem de ser cada vez mais um assunto consciente de quem influencia.

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8 Comments

  1. Responder

    Maria Antunes

    Fevereiro 14, 2018

    é por isto que te sigo. Pela honestidade, pela forma sempre sincera que escreves e por manteres os pés na terra. obrigada vânia pelo teu trabalho.

    • Responder

      vânia duarte

      Fevereiro 14, 2018

      muito muito obrigada pelo carinho 🙂

  2. Responder

    Ana Beatriz Pereira Martins

    Fevereiro 14, 2018

    Adorei o texto e é bem verdade devemos sempre pensar duas vezes no que fazemos e dizemos porque podemos estar a influenciar alguém!!

    Beijinhos ♥

  3. Responder

    Marta Chan

    Fevereiro 15, 2018

    É mesmo uma responsabilidade do caraças! No meu caso já evito publicar roteiros de viagens, a não ser que seja muito pedido, para sobrar espaço para as pessoas viajarem e explorarem livremente ao invés de seguirem passo a passo o meu roteiro.

    No caso dos blogues de beleza e moda custa me imenso promoverem marcas que danificam o nosso planeta, que maltratam animais ou que exploram crianças, jovens, adultos e seniores. Ninguém quer saber o que vem por trás da marca, aqui o importante é receber coisas para se ter mais e, consequentemente, mais conteúdo para o post ou vídeo. Claro que falo no geral…

    Como sempre os meus parabéns pelo post que nos faz reflectir.
    Beijinhos Vânia

    • Responder

      vânia duarte

      Fevereiro 16, 2018

      compreendo-te perfeitamente Marta, também é das coisas que mais me custa a promoção massiva de roupas e produtos que têm por base sofrimento de terceiros. Um grande beijinho para ti

  4. Responder

    Rafaela Monteiro

    Fevereiro 16, 2018

    O teu trabalho é notável! Parabéns!

    Beijinhos

    • Responder

      vânia duarte

      Fevereiro 16, 2018

      obrigada 🙂

  5. Responder

    Carolina Franco

    Fevereiro 19, 2018

    Já neguei algumas propostas pelo simples facto, de não acreditar na marca e nos produtos. Acho que sermos honestos para com quem nos lê. Confesso que não me sinto uma inspiração enquanto blogger. Apenas partilho um pouco de mim em todos os posts e tento sempre trazer algo novo, embora seja muito difícil pois tal como referiste, já há imensos blogs na internet e todos eles têm algo em comum. Infelizmente, o que reparo também é que quando uma empresa fala com uma blogger, acaba por falar com várias e os artigos começam a repetir-se devido a isso. É um pouco chato isso, mas é a vida. O que mais me perguntam, visto que estou em WordPress.org e hospedada na Lusitec, é quanto dinheiro já ganhei até agora, pois as pessoas só pensam no lucro. Acho tão errado pensarem dessa forma, mas é uma opinião pessoal. Adorei o post! Super verdadeiro e honesto! Beijinhos <3

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