Há um ano adoptei 2 gatos incríveis e um deles tem FIV

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Ontem, 17 de Dezembro fez exactamente 1 ano que adoptei dois gatos maravilhosos. Uma dupla completamente apaixonada um pelo outro. Uma dupla super diferente. Um é Zen o outro é super enérgico. Um passa horas a dormir. O outro passa horas a correr. Um larga pelo assim que se mexe. O outro come o pelo que se solta. Um é roliço e gosta pouco de se esforçar. O outro é um super ninja. Um é FIV positivo. O outro não.

E é exactamente assim que gosto de os apresentar.

Deixando a doença do Robin para o final. Porque de todas as palavras que o possam definir, o FIV é provavelmente a que tem menos importância.

Quem me segue por aqui sabe que o ano passado passei por um dos momentos mais complicados da minha vida. O Pablo morreu. Assim desta forma crua. Morreu quando ninguém esperava. Morreu acima de tudo de uma forma muito triste e injusta. E sofreu. Sofreu como não merecia ter sofrido nunca. E isto é claramente das coisas que mais me dói até hoje.

Após a morte dele, entrei numa espiral muito negra. E sim recorri a um psicólogo para me ajudar a lidar com uma morte tão cruel. Acho que não há que ter vergonha em admitir isto. O luto animal é algo pouco falado e pouco compreendido. Mas é real. E dói para caraças.

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Lembro-me perfeitamente de dizer que nunca mais queria outro animal lá em casa.

E durante meses foi esta a minha postura. Até que um dia, sem estar à procura, esbarrei numa associação chamada Bigodes Fofos – nunca tinha ouvido falar deles antes –  que ia fazer um peditório em conjunto com a UPPA. Entrei na página porque achei o nome giro e apareceu-me um vídeo de um gato preto super engraçado – que não era o Luke – e decidi ver os álbuns para saber mais deste gato preto. E enquanto estou a passear pelas fotos aparece-me o Robin. Lindo, de olhos verdes, enorme, peludo e laranja. Estava na cama quando o encontrei. Era de noite e eu não conseguia dormir, porque tinha estado com uma crise enorme de choro por causa do Pablo. E acontece isto. O Robin aparece justamente naquele momento.

Desliguei o telefone. Dormi. E no dia a seguir quando acordei, a primeira coisa que me surgiu no pensamento foi o Robin. Decidi ler mais sobre a história dele e foi exactamente aqui que descobri que ele tinha FIV.

Já tinha ouvido falar muito por alto sobre o FIV no passado.

E durante esse dia, pesquisei. Li muito. E quanto mais lia, mais aqueles olhos verdes não me saiam da cabeça. Contei ao namorado que sorriu porque pela primeira vez em muitos meses me estava a ver com vida. Contei a amigos. Contei à família sobre este gato que eu tinha descoberto. Sobre este ser perfeito que tinha uma doença para a vida mas que era tão mas tão perfeito aos meus olhos. E a maioria das pessoas apesar de ter adorado ver-me assim ficou com medo. Afinal de contas o Pablo tinha morrido há meses e eu estava a apaixonar-me justamente por um gato com uma doença sem cura. É óbvio que também pensei nisto. É óbvio que também tive medo. Mas decidi ouvir o meu coração. Decidi pensar na forma como tudo tinha acontecido. Em como eu após uma crise horrível de choro, encontro uma associação que nunca tinha ouvido falar antes e em busca do gato preto engraçado esbarro com aquele que se veio a revelar um dos gatos mais perfeitos que algum dia conheci.

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Fomos conhecê-lo. E apaixonamo-nos. Pela meiguice. Pela plenitude. Pela calma e pelo amor que ele tinha pelos 3 gatos bebés que andavam pelo abrigo e um deles era o Luke. A segunda história de amor deste post. Os bebés foram encontrados com 10 dias dentro de um caixote do lixo. 10 dias, conseguem imaginar? 3 bebés recém nascidos descartados assim. E a bigodes fofos acolheu-os. Tratou deles, deu-lhes amor, mimo e o maior paizão que podiam ter – o Robin. Um gato que não ligava nenhuma aos outros gatos, mas quando o assunto era pessoas e gatos bebés o caso mudava de figura. Eles dormiam em cima dele e ele acolhia-os a todos.

E foi exactamente aqui que decidimos adoptar o Robin, um gato adulto com FIV.

Li muito. Muitos artigos com estudos internacionais sobre o FIV. O impacto na saúde do animal. A convivência com outros gatos. Os gastos que poderíamos ter. Porque sim, seja de um animal saudável ou não, a adopção tem de ser ponderada ao mínimo detalhe. E ter consciência dos gastos é importante. Falei com a veterinária. Falámos sobre os riscos. Sobre a própria doença. E depois de muito ponderar escolhemos trazê-lo. Em plena consciência que sim tem uma doença. Que sim pode morrer. Mas a verdade por mais crua que possa ser é:

Todos morrem. Todos sem excepção morrem mais cedo ou mais tarde

O Pablo morreu sem ninguém esperar. Morreu aos 4 anos sem nunca ter estado doente. Morreu e ponto final. Portanto não era justo da minha parte não adoptar este ser perfeito, com medo que possa morrer. Ou reduzi-lo a uma doença, não lhe dando a oportunidade de ter uma boa vida, quando ele é absolutamente incrível. Porque a verdade é que eu percebi, que mais do que ter dado uma oportunidade ao Robin, foi sem dúvida o Robin que me salvou.

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Entretanto uma semana depois de decidirmos adoptar o Robin, decidimos que íamos trazer um dos bebés. Mais uma vez foi uma decisão muito ponderada. Afinal de contas os bebés não sofriam de FIV. Mas decidimos arriscar. E apesar do Luke quando íamos ao abrigo, não nos ligar nenhuma, porque sempre foi o gato mais enérgico dos 3 bebés,  foi exactamente ele que escolhemos. Porque era divertido, lindo de morrer e preto. E infelizmente os gatos pretos ainda são vitimas de descriminação.

E hoje passado 1 ano desta adopção de um gato FIV positivo e outro negativo

Não podíamos estar mais agradecidos. Porque ambos são saudáveis. Ambos são felizes e amam-se profundamente. Ambos são a vida da nossa casa. E é incrível como me esqueço facilmente que o Robin tem FIV. Porque a verdade é que se eu não o disser, ninguém sabe que ele sofre desta doença. Sabem o que é ter uma amiga a olhar para ele e a perguntar-me: Tens a certeza que ele tem FIV?

Conviver com um gato com FIV para nós lá em casa é exactamente igual a conviver com um gato sem FIV. Não há diferenças. Não há uma ração especial. Não há medicação. Há controlos de 6 em 6 meses para ver se tudo está ok. E há acima de tudo amor. Porque acreditem que é o que estes animais mais precisam. Amor. Uma casa feliz. Um sítio seguro e não serem descriminados. Sim ele tem uma doença incurável. E sim ele está assintomático e pode passar a ter sintomas. Mas não adoptar um animal destes porque se tem medo que ele morra é cobardia.

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Quanto ao Luke, cresceu e continua negativo.

Continua feliz, saudável e acima de tudo cada vez mais destrambelhado e divertido. E sim nós sabemos que há sempre um risco da doença passar. Mas acreditamos que eles são muito mais felizes juntos do que separados. E isso basta-nos para termos a certeza que tomámos a decisão certa.

  • Obrigada à associação Bigodes Fofos pelo trabalho incrível que fazem diariamente.
  • Obrigada à melhor veterinária Ana Rita Nova do Casvet. Que os trata com um amor indescritível.
  • Obrigada a todas as pessoas que olham para o Robin não como um gato doente. Mas como um gato incrível.
  • Obrigada ao Luke por ser o gato mais divertido e louco que podíamos ter.
  • Obrigada ao Pablo por me ter ensinado tanto sobre gatos e o quanto são incríveis.
E que venham muitos mais anos desta família bonita que criámos.

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11 Comments

  1. Responder

    Miguel Oliveira

    Dezembro 18, 2017

    O Pablo sabia bem quem havia de vir para a nossa casa! Ele sabia quais os gatinhos que iriam ser os seus seguidores!

    Obrigado Pablo, obrigado Robin, obrigado Luke! Obrigado por serem seres mágicos!

    • Responder

      vânia duarte

      Dezembro 18, 2017

      sim o Pablo foi incrível e escolheu bem os seus sucessores 🙂

  2. Responder

    Catarina (Joan of July)

    Dezembro 19, 2017

    Esta vossa história de adopção é das coisas mais bonitas que já ouvi e li na vida. Vejo-me perfeitamente no teu lugar, a perder um gato e a dizer a alto e bom som que nunca mais quereria ter outro. Mas também me vejo a ser salva por outro bichinho por quem me apaixonasse. Porque no fundo nem somos nós que os escolhemos; eles é que nos escolhem e nós lá aceitamos e os levamos para casa para, mais tarde, nos perguntarmos como raio é que alguma vez vivemos sem eles.

    Onde quer que esteja, o Pablo foi muito amado e assim foi durante todo o tempo que viveu convosco. Se ele visse o Robin e o Luke iria ficar feliz da vida porque de certeza que deseja a outros gatinhos dois donos assim. :)*

    • Responder

      vânia duarte

      Dezembro 20, 2017

      Oh Cat obrigada a sério 🙂 Perder o Pablo da forma que perdi foi duro, ninguém que ame verdadeiramente o seu patudo merece passar por aquilo que passámos e nenhum patudo merece sofrer daquela forma. Foram meses muito maus, onde verdadeiramente acreditei que nunca mais iria ter outro animal. Mas o destino é engraçado e gosta de nos mostrar que nós somos mais fortes do que acreditamos. Eu acredito mesmo que não foi por acaso que encontrei o Robin que já tinha sido rejeitado por várias pessoas por ter FIV. E sei que esteja onde estiver o Pablo teria orgulho desta dupla e em nós 🙂 beijo grande

  3. Responder

    Cristiana

    Dezembro 20, 2017

    Gostei muito da sua história! Fez—me lembrar em parte o que passei. Um pouco diferente mas conheço a dor de perder um melhor amigo, um anjo de quatro patas. Comer é sair da cama era um pesadelo. Mas graças à atitude da minha mãe a dor transformou—se…deu—me duas gatinhas lindas (irmãs), que foram abandonadas em pleno Dezembro e vinham com coriza. Muitas idas ao veterinário no início. Estão recuperadas. São as minhas “filhas” e por elas faço tudo!!
    Espero que a sua história e de muitos outros inspirem ainda mais pessoas a fazer o bem…E não olhar com diferença pra eles. São os melhores do mundo!! 💓💖

    • Responder

      vânia duarte

      Dezembro 21, 2017

      Oh Cristiana, obrigada por ter dado oportunidade às duas gatinhas, foi sem dúvida a melhor prenda de Natal que podia ter dado a elas e a si 🙂 um grande beijinho

  4. Responder

    Lara Fonseca

    Dezembro 20, 2017

    Olá, Vânia.
    Que texto maravilhoso. Acabei de o ler com lágrimas nos olhos, pq tb eu e a minha família passámos pela perda de uma gato, tb pretinho como o teu Pablo, e também de repente. Apesar de ser um gato sénior, nunca esteve doente e de repente..O mundo desabou e depois de uma semana doente tivémos que tomar a decisão mais difícil do mundo. Depois disso foi lidar com a morte do Tux e fazer o luto!
    E como foi difícil…
    Mas ainda temos a gata Pantufa e é nela que nos concentramos atualmente. É uma gata tb com 13 anos e perdeu o seu companheiro da vida toda.
    Beijinhos e desde já Boas Festas.

    • Responder

      vânia duarte

      Dezembro 21, 2017

      Lara obrigada pelo teu comentário, de facto é duro perder os nossos patudos, eles fazem-nos tão bem. Espero que a Pantufa continue por cá muitos e bons anos a fazer-te companhia 🙂 P.S: O Pablo não era pretinho, era laranja e branco ihihihih

  5. Responder

    Patrícia Simões

    Janeiro 10, 2018

    Que bonita história. (O assunto animais deixa-me sempre muito comovida…)

    • Responder

      vânia duarte

      Janeiro 10, 2018

      Muito muito obrigada Patrícia <3

  6. Responder

    Vera Nogueira

    Julho 11, 2018

    Olá,
    Não sabe o que a sua história me está a ajudar… Tenho a Evie uma gata preta, igual ao seu, completamente dominadora e dona do seu território, neste momento com 8/9 meses que resgatei da rua com apenas 300g. Agora apareceu o Thor um gatão com idade estimada entre 3 a 5 anos que me adotou durante as férias, não foi de prepositivo não queríamos mais gatos mas ele estava tão doente e os outros gatos da colónia tratavam-mo mal que tinha feridas em putrefacção, está ainda em risco de vida e pelo meio descobrimos que tem FIV, é super dócil mas o que se coloca agora é, não queremos que a Evie fique doente. E por enquanto ele está isolado, até porque está demasiado debilitado para estar com outros gatos, mas também porque desde que ele veio para casa que ela anda super stressada, nunca o viu mas sente o cheiro e passa a vida a bufar e a cheirar.
    fico tão feliz que esteja a correr tudo bem com os seus gatinhos, que são lindos de morrer!

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