Eu não sinto amor próprio todos os dias e é OK

sentir amor próprio

Há umas semanas atrás acordei em baixo e sem grande amor próprio. Acordei sem vontade de fazer grande coisa, sentia-me sem energia e estava com muito pouca paciência. E é engraçado porque normalmente quando me sinto assim, tenho uma estranha tendência para ir a correr para o espelho olhar-me de alto abaixo.

E foi exactamente o que fiz, e nesse dia não gostei do que vi. Confesso que há muito tempo que não tinha uma sensação destas. De olhar e não gostar de mim. Do meu corpo. Da minha cara. Do meu cabelo. De sentir que tudo estava errado. De olhar para mim com uns olhos super críticos e onde tudo é imperfeição. Lembro-me de ficar ali a olhar-me durante um bom tempo. A tentar interiorizar tudo aquilo em acredito sobre amor próprio, sobre aceitarmos as nossas imperfeições, sobre tentar agradecer pela boa vida que tenho e não reduzir tudo a um corpo e a uma imagem corporal. Lembro-me de tentar olhar para mim com mais amor, mas quanto mais o fazia mais detestava o que via. E nada, absolutamente nada nesse dia me fazia sentido.

Acabei por desistir do espelho e fui tomar o pequeno almoço.

Fiz umas panquecas deliciosas, acompanhadas por um prato bonito e enquanto comia pensava neste sentimento de pouco amor que estava a ter para comigo. Confesso-vos que me sentia frustrada. Porque sim eu não acordo todos os dias a achar que sou a bomba do pedaço, mas caramba há muito tempo que não vivenciava uma sensação de tão pouco amor por mim, como neste dia. E enquanto comia andava a tentar encontrar uma razão para este desamor até que olhei para o meu prato e fez-se luz na minha alma.

É verdade que eu estava realmente a sentir-me em baixo, mas apesar disso escolhi alimentar-me bem e tudo aconteceu naturalmente. Escolhi encher o meu prato de alimentos saborosos e nutritivos. Escolhi comer tranquilamente, sem sofreguidão, sem estar a pensar no que ia comer a seguir. Escolhi não deixar que as minhas emoções negativas tomassem conta das minhas decisões alimentares. Escolhi não transpor para o prato a minha frustração. E percebi neste momento que ao escolher comer sem compulsão estava a ter um acto de verdadeiro amor próprio para comigo.

E porque é que decidi escrever sobre isto?

Porque hoje em dia fala-se muito nisto de gostarmos de nós, de nos aceitarmos. De olharmos para nós com verdadeiros olhos de amor. E eu acredito muito no poder do amor próprio. Acredito que só vivendo uma relação de paz connosco próprias conseguimos ser felizes e fazer alguém feliz. Mas também acredito que somos seres de emoções. E que as emoções podem ser umas grandes cabras às vezes e fazerem-nos pensar e sentir coisas contrárias ao amor próprio e aquilo que vos quero dizer é que: É ok sentir isto.

Por mais amor próprio que se espalhe pelo mundo, ninguém acorda todos os dias a achar-se a última Coca Cola do deserto. Ninguém tem a vida perfeita sempre e ninguém é 100% feliz todos os dias. Porque se isso acontecesse seríamos humanos pela metade. Porque sim faz parte sentirmos tristeza, frustração ou raiva. Todas essas emoções compõem-nos como ser humanos e aceitar que elas existem em nós é um grande passo para nos aceitarmos. Todas estas emoções menos boas, dão-nos ferramentas para crescermos interiormente  são elas que muitas vezes nos mostram o quanto somos fortes.

E por isso é importante que se perceba que amor próprio não é andar aqui aos pulinhos.

De sorriso rasgado, como se fôssemos uns tolinhos a ver unicórnios. Sim podemos ter estas fases mas não as temos todos os dias. Amor próprio não é camuflar sentimentos mas sim aceitar que eles existem e escolher que importância lhes vamos dar.

Sim eu acordei triste e a sentir-me com tudo menos com amor próprio, mas escolhi colocar no meu prato saúde em vez de me afundar em compulsão. E nem sempre foi assim. Nem sempre eu tive esta capacidade de controlar as minhas emoções e a verdade é que na maior parte das vezes, acordar a sentir-me mal significava, acalmar a dor com comida. E estas, são escolhas de amor próprio. Estas são escolhas que fazes inconscientemente por amor, mesmo quando não te sentes feliz.

Hoje em dia há toda esta coisa de vivermos num extremo.

De muita felicidade e amor para contigo. De momentos em que sabes o que queres, em que tudo te faz sentido e por isso a vida flui com leveza ou então vivemos no extremo da tristeza e desilusão que te levam à compulsão. E tem que haver um meio termo. Tens que aprender que é  OK teres dias maus. É ok existirem dias em que não te sentes tão em forma ou tão bonita. É ok teres dias não, mas é aquilo que escolhes fazer com esses sentimentos que conta.

Amor próprio é muito mais do que aceitarmos um corpo. Amor próprio é aprenderes e aceitar que dias maus vão existir sempre. E que tal como as tempestades, por piores que sejam, acabam sempre por passar. E tu só tens de aprender a gerir o medo de falhar nisto de te amares.

Porque aceitares-te por inteiro tal como o amor próprio apregoa, significa aceitar que há dias em que nada vai fazer sentido. E é OK.

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5 Comments

  1. Responder

    Maria Antunes

    Novembro 14, 2017

    Li cada palavra que escreveu e quanto mais avançava, mais acenava com a cabeça que sim a tudo, porque já houve várias vezes em que achava que estava algo de errado comigo porque agora só se fala de amor proprio e há dias em que por mais que nos esforcemos é dificil. Obrigada por falar disto com tanta clareza e honestidade.

    • Responder

      vânia duarte

      Novembro 14, 2017

      Maria o que está errado é acharmos que os outros estão sempre felizes ou tem sempre vidas perfeitas 🙂 obrigada por todo o carinho

  2. Responder

    Miguel Oliveira

    Novembro 16, 2017

    Concordo com tudo!
    Obviamente não andamos sempre felizes e contentes. A vida pode-se comparar aos nossos batimentos cardíacos. Umas vezes estão em cima e outras em baixo. E é assim para toda a gente, e é assim que tem que ser.

    Nos dias em que nos sentimos em baixo devemos procurar aqueles que nos amam verdadeiramente para que eles nos ponham lá “em cima” de novo.

    E tu terás sempre pessoas para te fazerem sentir bem… 🙂

  3. Responder

    Joana

    Novembro 19, 2017

    Vânia obrigada por teres escrito sobre isto! Parabéns pela transparência que tens. De facto hoje vive-se nos extremos sem dúvida.
    Obrigada por escreveres sobre o meu lema de vida: “ser feliz, apesar dos dias maus” 🙂
    um beijinho e parabéns pela tua força e blogue

    • Responder

      vânia duarte

      Novembro 20, 2017

      querida joana muito obrigada pelo teu feedback, fico muito feliz que tenhas gostado 🙂 um grande beijinho

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