Survivors Run

E depois de muito falar por aqui e pelo Instagram da Survivors Run, sábado chegou finalmente o dia da prova. Confesso-vos que estava nervosa, assustava-me um bocado a distância porque apesar de eu treinar bastante, corridas de longa distância não são o meu forte nem algo que goste muito de fazer, sempre preferi corridas de alta intensidade com períodos de sprint e outros mais leves, portanto sabia que para mim tinha aqui mais um desafio.

A prova realizou-se na Base Áerea de Sintra, e a partida da minha equipa era às 09.35, portanto tive de acordar cedo, para estar no local às 08.20 e logo ai percebi a dureza que ia ser este desafio. Estavam 3 graus quando acordei e à medida que ia andando mais para os lados de Sintra as temperaturas foram baixando e quando estacionámos o carro marcava 0 graus, o chão tinha gelo e as mãos doíam. Foi nessa altura que me questionei sobre o que estava ali a fazer, a prova tinha muita água e lama e estava um frio impossível de suportar.

As partidas começaram às 09.15 e duraram até ao 12h15, sempre com equipas a saírem de 10 em 10 minutos. A nossa equipa era a única que tinha uma partida só para nós, pois éramos mesmo muitos, todas as outras partidas tinham várias equipas, fomos então os terceiros e depois de um aquecimento forte por causa do frio, às 09.35 soou o alarme.
Lembro-me que o primeiro obstáculo eram uns pneus para passar por cima, uma coisa bem simples de fazer mas logo a seguir encontrámos um buraco cheio de lama onde tínhamos de descer e voltar a subir pelo outro lado. A partir daqui percebi que a “diversão” tinha começado. 
A prova não é fácil. São 9km o que até não é muito comparando com outras corridas, mas o terreno é sempre irregular. Corremos muito tempo na lama, em terra, em campos enormes que pareciam só ter erva e assim que colocámos os pés em cima havia imensa água por baixo, tudo isto dificulta muito o percurso e foi aqui que percebi que uma boa preparação física é mesmo necessária, pois senti os meus tornozelos a sofrerem imenso com o impacto do terreno e se não tivesse bem preparada de certeza que tinha torcido os pés (aconteceu a algumas pessoas). 
Para além do terreno os obstáculos estão lá para nos dificultarem a vida, há aqueles mais fáceis como passar por baixo de um camião, ou subir uma montanha de pneus, rastejar na lama ou na terra, tudo isto para mim foi fácil, agora ter que escalar coisas, entrar dentro de água gelada para subir escadas de rede que abanavam por todo o lado, carregar com troncos, passar por cima de madeiras altísimas isso sim foi muito duro. 
Conforme íamos passando e percebendo que o final estava cada vez mais próximo, a motivação ficava ainda maior, conseguimos passar um grupo que tinha saído na partida antes de nós e corremos com toda a força para o último desafio e certamente o mais difícil, um half pipe altíssimo, em que tínhamos de o subir.
Houve muita gente que não conseguiu subir aliás acredito mesmo que a maioria não o fez, mas eu e a minha parceira de prova decidimos que tínhamos de conseguir e depois de uma primeira tentativa falhada, enchemos os pulmões de ar, fizemos um último esforço nas pernas, ganhámos balanço e toca a subir aquilo. Lá em cima estavam pessoas, que depois de conseguirem subir ficavam lá a ajudar quem queria tentar. Conseguimos então na segunda tentativa, ainda ajudámos outra pessoa e depois deslizámos pelo lado inverso rumo à meta.
O meu objectivo pessoal era terminar a prova em 1h30, consegui fazer em 1h28. A minha classificação provisória foi o 26º lugar, as classificações finais ainda não saíram, mas tendo em conta que devem ter participado umas 800 pessoas neste desafio creio que consegui um óptimo resultado.
Foi a primeira vez que participei num desafio destes e não podia estar mais feliz. Destaco a excelente organização que fez um trabalho incrível. Todos os obstáculos estavam bem sinalizados, havia comida e bebida disponível à venda, a meio da prova deram-nos água e no fim tivemos direito gratuitamente a fruta, sumos, uma t-shirt e algumas recordações, para além disso haviam balneários onde pudemos tomar banho (que me soube mesmo mesmo bem).
Outra coisa que me deixou contente foi ver o espírito de ajuda entre os participantes mesmo quando não pertenciam à mesma equipa, aqui tenho mesmo de agradecer a um senhor que me fez “pé de ladrão” para eu conseguir passar uma madeira altíssima, e ao que me puxou para cima no half pipe. Esta realidade aconteceu durante toda a prova com muitas pessoas a ajudarem-se.
Fiquei viciada neste tipo de provas. Terminei com o coração cheio, com a sensação de objectivo cumprido. Tive um mês e 7 dias de preparação, com uma alimentação muito regrada, sem açúcares, sem comidas pecaminosas e treinei muito e no duro. Muitas pessoas me perguntavam porque estava a fazer isto, que a vida é só uma e privarmo-nos de tanta coisa faz-nos mal, mas depois de ter corrido 9km, ter superado 30 obstáculos e o meu objectivo pessoal, tudo num dia com temperaturas de 1 grau, deixa-me com a certeza que o estilo de vida e as opções que tenho feito nos últimos anos não podiam ter sido as mais acertadas, porque sinto-me verdadeiramente feliz.
Assim sendo e depois de já ter comido uns valentes doces porque também mereço, o objectivo agora é preparar a próxima, pelo que ouvi dizer acho que vai haver em Maio e portanto agora é treinar bastante para tentar fazer em menos 1h15.
Brevemente vão haver fotos oficiais da prova, onde podem ver as nossas caras de sofrimento, depois irei publicar aqui.
Fevereiro 3, 2015
Fevereiro 10, 2015

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3 Comments

  1. Responder

    Margarida Ribeiro e Silva

    Fevereiro 9, 2015

    Que coragem, Vânia! Senhores!

  2. Responder

    Andreia...

    Fevereiro 9, 2015

    Força!! E aproveita uns docinhos sim!!
    Fica bem 😉

  3. Responder

    Sofia Carneiro Machado

    Fevereiro 9, 2015

    Que força de vontade!
    Espero que em Maio voltes a cumprir os teus objetivos e saias tão feliz como desta vez 🙂

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