Je suis Charlie

7 dias passaram desde que entrámos no
novo ano. 7 dias desde que tanta gente por este mundo fora se
juntou para fazer resoluções, desejar mudança e simplesmente
acreditar num 2015 melhor.
Há uma semana atrás por esta hora ainda
estávamos no rescaldo de bons jantares e bastantes ressacas, hoje
passados 7 dias o rescaldo é de um sentimento de injustiça, de um
acontecimento que veio chocar o mundo numa altura em que muitos de
nós ainda estavam na fase do “desejar” e “acreditar”.
Passam-se 7 dias e levamos com a certeza, que este mundo está
demasiado envenenado para acreditarmos que uma simples passagem de
ano poderá efectivamente tornar o mundo melhor.

Guerras religiosas são nojentas. Como
é possível basear uma guerra em algo que simplesmente parte do que
cada um acredita, parte de um Deus que para mim pode usar um manto
branco, para o outro pode ser azul e para tantos outros pode nem
existir. Nunca em momento nenhum as guerras deviam ser permitidas,
porque a verdade é que fazem mais mal do que bem, mas elevar a
situação a um extremo em que o objectivo é condenar a liberdade de
expressão, é entrar por um caminho que nunca pensei que fosse assistir.
Nasci numa época em que sempre tivemos
acesso a tudo, mas os antigos, aqueles que passaram por ditaduras (e
os que ainda passam hoje em dia) sabem o que é viver numa angustia
constante de poderem estar a ir contra um regime que condena o
pensamento livre. Ser perseguido porque se ousa dar uma opinião é
possivelmente das piores prisões que um ser humano, que foi feito
para pensar, desejar e ousar, pode sentir. E é aqui, exactamente
neste ponto que chegamos ao dia 7 de Janeiro de 2015, quando um grupo
de artistas, um grupo de pensantes, de pessoas que usavam o humor
para satirizar situações são brutalmente assassinadas por terem
“ofendido” um “Deus”, uma “causa” que diariamente mata e
tortura milhares de pessoas pelo mundo fora.
Todas as pessoas têm o direito de não
gostar de uma piada, todos têm o direito de não gostar que brinquem
com as suas crenças, mas tirar a vida deliberadamente e com total
consciência desse acto por pura ofensa não é desculpável de forma
nenhuma. Porque ninguém em momento algum deveria ser condenando, ou
sofrer repressão por ousar pensar.
7 dias…
7 dias é muito pouco tempo para se
começar já a desacreditar que efectivamente, este mundo em que
vivemos é uma verdadeira merda.
Janeiro 9, 2015

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4 Comments

  1. Responder

    Candybabe

    Janeiro 8, 2015

    É inacreditável desculparem-se com a religião para estes actos bárbaros…

  2. Responder

    Marta

    Janeiro 8, 2015

    Infelizmente isto acontece todos os dias, só que não interessa ser falado. E falo nos casos terroristas da Sitia, Libano, etc.
    beijinhos

  3. Responder

    Marcia Leonor

    Janeiro 8, 2015

    Foi realmente numa altura em que nos leva a reflectir o porque. Ainda há pouco a família se juntou juntos comemoramos um novo começo e tantas pessoas ficaram sem esse começo.

  4. Responder

    Vanessa

    Janeiro 9, 2015

    É preciso abrir o teu blogue para ver uma opinião sobre este assunto. Nunca o mundo vai melhorar, e volto a dizer, embora não haja certeza se realmente foi em nome da religião, ou até que certo acto foi cometido por muçulmanos, o que aconteceu revela que realmente há inúmeras pessoas cruéis…

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