Robot & Frank

Este filme surgiu-me à frente muito ao acaso, mas ainda bem que assim foi. 
Confesso que foi o cartaz do filme que me atraiu, não sei bem porquê mas cartazes amarelos exercem sobre mim um certa atracção, e acho sempre que vale a pena parar para tentar saber que filme é (aconteceu-me o mesmo com Little Miss Sunshine e que grande filme aquele).
Robot & Frank passa-se num futuro próximo e fala sobre a história de Frank, um antigo ladrão de jóias que começa aos poucos a perder a memória e a irritar-se facilmente com qualquer coisa. Para provar a sua independência e porque não gosta de se sentir incapaz acaba por afastar todas as pessoas que o amam, mas com a sua saúde a degradar-se, o filho arranja-lhe um robot preparado para prestar todos os cuidados essenciais e elaborar planos que procurem dar-lhe estímulos mentais diários.
O Robot é mal recebido por Frank ao início, mas aos poucos vai-se tornando uma parte essencial da sua vida, principalmente depois de Frank perceber que consegue ensinar o Robot a roubar, e este achar que o facto de Frank elaborar os planos de roubos é um excelente exercício para manter a sua cabeça activa.
Este não é certamente o melhor filme de sempre, mas o que realmente me prendeu a atenção foi a forma simpática e bonita como foi representada este tipo de doença.
Quem me lê há uns tempos, sabe que convivi de perto com o Alzheimer da minha avó durante muitos anos, e assisti à degradação mental e humana que esta doença provoca, portanto sei por experiência própria que não é uma doença bonita de se ver, mas com paciência, vontade e dedicação é possível dar tempo aos mais velhos, tempo de qualidade. 

Porque é sobre isso que o Alzheimer e outras doenças mentais assentam, o tempo para reconhecer os que amamos, para conseguir articular duas palavras, para saber o que comemos há 5 minutos torna-se demasiado curto, e o corpo que tem vontade de abraçar o próximo fica preso num cérebro corroído por uma doença tão triste. 
Robert & Frank sendo um filme algo futurista assenta sobre a premissa que é possível dar um pouco de alegria a quem sofre deste tipo de doença e mesmo sabendo que há coisas que não se podem evitar, é possível adiá-las por mais um dia.
Porque no fundo o mais importante é exactamente isso – ter mais um dia bom.
Destaco ainda a excelente interpretação de Frank Langella, que é sem dúvida nenhuma a alma e a grande força deste filme.
Abril 19, 2013

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3 Comments

  1. Responder

    Rosie

    Abril 25, 2013

    Este filme esteve no Fantas deste ano e eu fiquei pouco entusiasmada para ver. Não me chamava muito, talvez seja pelo fundo amarelo, tal como tu :p
    Mas depois de ler o que escreveste, sinto que merece a oportunidade 🙂

    • Responder

      lollytasteblogvania

      Abril 25, 2013

      babe mas eu adoro cartazes amarelos hehehhe, geralmente são sempre filmes interessantes, numa onda mais indie:-)
      Mas vale a pena veres este, não é grandioso mas é bonito de se ver e o Frank Langella faz um papel simplesmente brutal.

  2. Responder

    inversiva

    Abril 26, 2013

    vi esse filmes há uns meses e gostei imenso, e muito embora nunca tenha lidado com a doença de perto, consegue-se sentir um pouco do que é lidar com pessoas que sofrem de Alzheimer.
    a relação que ele estabelece com o robot e tudo o que este lhe proporciona é maravilhoso de se ver, e conseguimos de certa forma revalorizar os nossos dias, eu pelo menos fiquei a pensar nisso…*

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